Percebendo o desconforto dela, Yunice finalmente ergueu os olhos e disse com calma: “Você está mais bem informada do que a pessoa diretamente envolvida?”
O rosto da mulher vacilou com culpa, e ela já não conseguiu permanecer sentada. Levantou-se e foi embora, envergonhada.
Assim que saiu, Freya se virou para Yunice com frustração. “Então você sabia disso o tempo todo?”
Ela respondeu: “Fofocas não têm fim. Essas pessoas pegam alguns fragmentos de meias-verdades e aparecem como se tivessem descoberto algum segredo. Se levar isso a sério, já perdeu.”
Observando Yunice tomar um gole da bebida com uma calma inabalável, Freya também deixou o assunto de lado.
Ela disse: “Tem uma coisa que estava certo... Não dá para confiar em homens. Mas pelo menos você tem o Sr. Crawford. Ele nunca deixaria você ser tratada injustamente.”
Carl ainda carregava culpa em relação à família Saunders.
Yunice passou os dedos pela borda da taça de champanhe. Ela não pretendia revelar nada sobre Nora por enquanto.
Não queria arrastar alguém que a amava para uma batalha confusa pelo seu casamento. Queria chegar a uma decisão com Wyatt no momento certo, no ambiente certo, com calma e de forma direta.
Esse momento chegaria quando Nora acordasse.
E quando Wyatt deixasse de amá-la.
Somente quando Yunice realmente decidisse partir é que essa questão passaria a importar.
Até lá, ela não via isso como algo que precisasse ser ‘resolvido’.
Não se pode deixar a vida desmoronar por causa de uma hipótese.
Quanto mais as pessoas tentavam usar Nora como uma cunha para abalar Yunice, mais determinada ela ficava a não reagir.
Do ponto de vista de quem estava de fora, ela e Wyatt eram marido e mulher, uma unidade.
O que ela precisava proteger era a posição pública dele, não destruir o próprio casamento por causa de algumas provocações calculadas.
Uma vez que a confiança se rompe, a primeira a sofrer seria ela.
O casamento era como uma carreira. Se fosse bem administrado, poderia prosperar mesmo sem amor.
O perigo estava em apertar demais, como tentar segurar areia nas mãos. Quanto mais forte você aperta, mais ela escapa.
Depois da tentativa fracassada daquela mulher, ninguém mais se atreveu a incomodar Yunice.
Entediada, Freya perguntou: “Wyatt não deixa você fazer conexões. Então por que trazê-la a um evento desses?”
Yunice balançou a cabeça. “Não sei.”
Wyatt era difícil de entender. Talvez fosse apenas um capricho.
Freya começou a folhear o catálogo da mostra de caridade do baile.
Em eventos assim, os convidados doavam algo valioso para ser leiloado, e o dinheiro arrecadado ia para instituições de caridade, muitas vezes voltadas ao bem-estar de crianças. Depois, relatórios eram divulgados, reforçando a imagem filantrópica do doador.
Yunice passou os olhos pelo livreto e parou na seção de tecidos. “Wyatt provavelmente vai dar lance neste conjunto.”
Tecidos de boa qualidade eram raros. O fato de aparecerem ali significava que alguém provavelmente tinha percebido as preferências de Wyatt.

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