Depois, Yunice ficou deitada preguiçosamente na cama. Wyatt se inclinou, erguendo a cabeça dela para apoiá-la em seu braço, de modo que parecia estar aninhada em seu abraço.
As luzes ainda estavam acesas, e ele nem se deu ao trabalho de pegar um cobertor. O roupão de seda caía frouxo sobre o corpo.
O olhar de Yunice deslizou até as marcas que apareciam na altura da cintura dele. Ela estendeu a mão, roçando a parte exposta da tatuagem, e murmurou: “O que é isso?”
Wyatt baixou os olhos para encará-la. “Por que você mesma não olha?”
Ele achava que ela não teria coragem?
Yunice virou-se de lado e puxou o cós da roupa íntima dele para baixo. Mais… Mais…
Quando estava prestes a chegar ao fim, ela parou, surpresa. “É uma cobra?”
Com o braço que não estava preso sob Yunice, Wyatt alcançou a mesa de cabeceira, pegou um cigarro, acendeu-o entre os lábios e perguntou: “Com medo?”
Era só uma tatuagem. Do que haveria de ter medo?
Ela voltou a se deitar. “Por que uma cobra? Tem algum significado?”
Wyatt esticou o pescoço e soltou lentamente a fumaça. “Não exatamente. Eu só gostei.”
Para Yunice, aquilo fazia sentido. Ele era do tipo misterioso. Quando não sorria, transmitia uma aura pesada e opressiva. Pessoas de fora costumavam compará-lo a uma cobra venenosa.
Talvez ele só achasse a cobra estilosa.
Fora isso, Yunice não via relação alguma entre aquela tatuagem e Nora.
Nora…
Só de pensar nela, Yunice hesitou.
Sentiu vontade de ser honesta com Wyatt. De perguntar diretamente o que havia acontecido entre eles.
Se ele estivesse disposto, queria ir ver Nora. Talvez houvesse algo que pudesse fazer para ajudá-la a despertar.
Afinal, ela e Wyatt estavam apenas se usando. Yunice nunca planejou que aquilo durasse.
Mas, quanto mais pensava, mais insegura ficava. Agora não era o momento certo. Se ele se irritasse, só pioraria tudo.
Yunice voltou a se deitar e fechou os olhos para descansar.
Nesse instante, seu celular tocou.
Wyatt o pegou e entregou a ela. Yunice olhou para a tela. O nome exibido era ‘Sr. Carl’.
Então notou o horário, meia-noite, e franziu a testa.
Por que ele estava ligando tão tarde?
Será que algo havia acontecido?
Wyatt se sentou e a lembrou: “Atenda.”
Yunice atendeu. “Alô, Sr. Carl? Sou eu.”
O que Carl disse a fez lançar um olhar estranho para Wyatt antes de responder: “Agora? Para a família Crawford? Certo, entendi. Vou aí imediatamente.”
Desligou com hesitação, sentindo-se inquieta.

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