Yunice conhecia muito bem aquela expressão no rosto de Owen. Era a mesma expressão falsa e triste sempre que decidia sacrificá-la — como se estivesse sendo forçado a tomar uma decisão dolorosa e nobre. Os olhos de Yunice se voltaram para Elsie, atrás dele. “Owen, não me diga que você está tentando roubar o meu equipamento de proteção. Eles me chamaram. Você acha que consegue dar uma de esperto?”
“Não queria que chegasse a esse ponto. Mas você passou por cima de mim e relatou o surto. Se não tivesse feito isso, todos nós poderíamos ter saído daqui. Você me forçou a…” Mais uma vez, ele tentava pintá-la como a culpada.
“Owen, depois de todos esses anos, você acha mesmo que eu não sei quem você é? Se vai me esfaquear, faça logo. Por que perder tempo justificando? Ou acha que inventar desculpas facilita a sua vida?”
“Yunice... Elsie acabou de passar por uma cirurgia — ela não está em condições de lidar com isso.”
“E eu, supostamente, sou o cordeiro do sacrifício? Acabei de sair do hospital também!”
Owen ficou em silêncio. “Desculpe”, ele disse baixinho.
Lá estava novamente aquela mesma frase inútil. Quanto valia o seu pedido de desculpas? Uma cura mágica? Um remédio que salvava vidas? Será que desculpar-se lhe dava uma segunda chance na vida?
Yunice se virou para a porta, pronta para gritar pelos médicos lá fora e expor o plano de Owen.
Mas antes que ela pudesse dizer alguma coisa, Owen colocou uma toalha encharcada de droga sobre a sua boca e nariz, fazendo-a desmaiar quase imediatamente.
Com os olhos ardendo de fúria, ela o encarou. “Mesmo que você a tire de lá... Wyatt vai saber. Elsie não vai longe.”
Ele fechou a cara. “Desculpe. Não tenho o luxo de me importar.”
Pelo menos, se Elsie conseguisse escapar, ela teria uma chance. Ao ver Elsie ainda paralisada ali, Owen pegou Yunice nos braços. “Depressa! Vista o traje dela! O traje está completamente selado — eles não verão o seu rosto. Fique quieta, e ninguém notará a diferença.”

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