Se Wyatt tivesse ficado sentado naquela posição por muito tempo, certamente teria sido queimado pelo calor gerado pelo acidente.
Yunice rastejou até o lado do motorista e se inclinou para soltar o cinto de segurança dele. O homem estava bem. O choque do acidente o deixou tonto por um momento.
Naquele instante, abriu os olhos e sentiu alguém pressionando contra ele. Um peito macio roçou seu abdômen.
Yunice havia soltado o cinto e estava prestes a levantá-lo quando seus olhares se encontraram. Wyatt viu o sangue na testa dela, e um brilho de raiva passou por seus olhos. A moça desviou o olhar rapidamente, sentindo-se culpada.
Ela achou que o homem estava bem, então se afastou dele. Pouco depois, ele saiu do carro com uma expressão fria.
O sol começava a nascer, e Yunice estava na beira do penhasco, olhando para ele de um jeito que parecia estar sendo castigada.
Wyatt não estava completamente ileso. Havia manchas de sangue perto de sua têmpora, provavelmente causadas por vidro quebrado ou outros detritos. A moça observou a velocidade e a cor do fluxo de sangue, avaliando a gravidade do ferimento.
O homem imediatamente ligou para Jordan e pediu que ele organizasse a vinda de uma equipe médica para a montanha.
Ao ver o olhar frio nos olhos dele, Yunice percebeu que Wyatt estava extremamente preocupado com Morgan e temia que algo tivesse acontecido com ele.
Embora não soubesse por que o homem se importava tanto com o outro, a moça logo o lembrou: “Vá ver como está o Sr. Morgan. Ele está em péssimo estado!”
No entanto, Wyatt não olhou. Em vez disso, foi direto até Yunice. O coração dela deu um salto. “Não tem nada a ver comigo, juro. Eu não sabia que ele…”
Antes que a moça pudesse terminar, o homem agarrou o braço dela, logo a moça voltou à realidade e percebeu que o chão onde estava havia sido solto pelas rodas do carro, e pedras agora rolavam penhasco abaixo. Suas pernas fraquejaram, e ela correu para o lado dele.
Wyatt ainda segurava seu braço, e havia fúria em sua voz quando falou: “Qual é o seu objetivo? Não pode ficar quieta no Pavilhão? Se precisa de um emprego, eu te arranjo um. Se quer praticar medicina, eu te deixo. Você não tá precisando de nada na vida. Por que tá na pista de corrida?”
O homem puxou o braço dela, forçando-a a olhar para o penhasco abaixo. As pedras rolavam e se despedaçavam. Se uma pessoa caísse, seria um desastre.
“Se tá cansada de viver, pode pular agora e me poupar o trabalho!”, disparou.
Yunice se encolheu de medo, incapaz de falar.

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