Quando era mais novo e inconsequente, Paul se orgulhava de ser livre e selvagem. Raramente postava sobre Yunice nas redes sociais, ele teria sido zoado por estar “amarrado” demais.
Agora, porém, não conseguia encontrar uma única foto. Quando a tela do celular escureceu, Paul de repente viu o próprio reflexo, o brilho sutil no canto do olho chamou sua atenção. Assustado, levou a mão até lá... era uma lágrima.
Durante dias, ele se pegava pensando em Yunice nos momentos mais aleatórios, quase sofreu um acidente de carro de tanto que se desligou do mundo.
Depois de um tempo, não aguentou mais. Sabia, lá no fundo, que ainda não tinha deixado ela ir embora, então voltou ao hospital.
Do lado de fora da câmara mortuária, o nome de Yunice já havia sido substituído por um número de série.
Paul ficou muito tempo parado em frente à câmara fria. Então, estendeu a mão para abri-la, querendo confirmar.
Yunice se foi mesmo?
Seus dedos se fecharam sobre a porta, mas ele hesitou novamente.
Soltou a mão e suspirou. “Yunice, se você só tivesse me escutado naquela época, a gente não teria terminado; eu não teria me apaixonado pela Elsie.”
“Eu nunca mudei. Foi você quem fez questão de bater de frente comigo.” Paul cerrou os punhos, com os olhos cheios de frustração, mas até ele sabia que já não adiantava mais se apegar àquilo.
Ficou ali parado por mais um tempo, depois enfim tirou de um bolso uma caixinha de anel e pegou de dentro uma aliança trançada com capim. Penduro-a na frente da porta da câmara.
Baixou o olhar, escondendo o furacão de palavras que carregava nos olhos. Paul se virou e foi embora com passos firmes. Uma brisa passou pelo corredor, o anel de capim balançou suavemente diante da câmara.
Ao se afastar, Paul notou alguém parado na entrada do corredor.
Era um cara de cabelo espetado vermelho-fogo, usando um número absurdo de acessórios barulhentos um típico filhinho de papai mimado.
Paul sempre se achou acima dos outros e, naturalmente, não deu atenção. Passou reto como se o sujeito não existisse.
O que ele não sabia era que, assim que ele saiu, Morgan entrou direto na ala mortuária. Arrancou o anel de capim da porta da câmara.
“Hahaha.” Ele girou o anel nos dedos, com um sorriso torto no rosto.
Naquela noite, Wyatt foi jantar com Mary.
Morgan também estava lá.
Estava com um pé apoiado no banco, cotovelo no joelho, olhando pra Wyatt com aquele olhar cheio de segundas intenções.
“Você vai casar logo. Por que não traz sua noiva aqui para a vovó conhecer? Vai ser ela quem vai servir o chá e cuidar da vovó de agora em diante.”
Morgan sorriu, transbordando veneno.
Mary segurava os talheres, com o cenho franzido. Não dava pra saber se estava irritada com Morgan ou com Wyatt.

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