“Um ginseng de cem anos...”
O assistente que segurava a caixa de presente deu um passo à frente e estava prestes a abri-la quando Taylor o interrompeu: “Esse presente não é meu.”
Ela ergueu os olhos e disse: “Só preparei dois presentes. Como foi feita essa lista? Não podem simplesmente colocar o presente de outro convidado no meu nome...”
Depois, virou-se para os convidados: “Não sei qual convidado ilustre enviou o ginseng, mas foi registrado erroneamente como sendo meu. Por favor, apareça para que eu possa me desculpar pessoalmente.”
Assim que Taylor terminou, os convidados assentiram, aprovando a postura. A filha da família Kendall sabia mesmo como se comportar.
Já Paul, por outro lado, sempre deixava a desejar em termos de tato. Como agora, nem sequer tinha aparecido. Um verdadeiro desrespeito à etiqueta.
Mesmo depois das palavras de Taylor, ninguém se apresentou.
O responsável pela lista de presentes folheava as páginas freneticamente, o suor escorrendo pela testa.
“Não pode ter sido um erro… Está escrito claramente ‘nora do patriarca’...”
A família Powell só tinha um neto... Paul... Então, naturalmente, só havia uma nora.
Quem mais poderia ser, senão Taylor?
Carl estava sentado à frente da multidão, numa poltrona de encosto alto, enquanto Freya permanecia ao seu lado, de braços cruzados.
Os longos cachos caíam sobre um dos ombros enquanto ela olhava na direção de uma certa movimentação, sorrindo de forma açucarada.
“Chefe, olha só... O que será que a Sra. Elsie está fazendo, se enfiando no meio da multidão daquele jeito?”
Elsie não tinha nenhum prestígio real, e sem alguém para apresentá-la, não havia chance de chegar à frente.
Mas ela havia bajulado Kelvin mais cedo, e ele a levou com ele. Agora, no entanto, começava a se esgueirar para frente sozinha, deixando-o para trás.
Claro que, com todo mundo concentrado em descobrir quem enviou o ginseng, ninguém reparava nela se aproximando.
Elsie forçou caminho até a linha de frente. Quando viu que ainda não tinha sido notada, puxou discretamente a barra do próprio vestido e soltou um gritinho suave, fingindo tropeçar.
O gemido delicado ecoou como um trovão súbito, captando a atenção geral.
Lá estava Elsie, de mãos apertadas na frente do vestido, com uma expressão de vergonha sob todos aqueles olhares.
Instintivamente, todos se viraram para a mulher que estava atrás dela, que olhava para a cena totalmente confusa. Ela não havia pisado na barra do vestido de ninguém. Não fazia ideia de como aquela garota tinha caído daquele jeito.
Percebendo que estava prestes a ser feita de bode expiatório, seu rosto ficou vermelho de raiva.
Ela disparou: “Quem é você, hein? Foi você que bateu em mim! Doeu!”
Levava a mão ao ombro, deixando claro que não era a culpada.
Elsie ficou com os olhos marejados e fez uma reverência tímida: “Desculpa, a culpa foi toda minha. Não fica brava comigo, irmãzinha... Deixa eu te ajudar a limpar, por favor?”
A mulher ficou sem palavras. Quem é essa falsa boazinha, e de onde saiu?

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