Wyatt ergueu uma sobrancelha. Em vez de encarar aquilo como um desafio, achou divertido.
Yunice deixou o dossiê sobre a mesa e disse: “O Sr. Carl muito provavelmente vai fechar com você; se não fosse isso, nem teria aceitado o encontro. Acho que ele está esperando um sinal claro de intenção.”
Wyatt sorriu: “Chega de papo de negócios por hoje. Você não estava querendo causar um pouquinho?”
Ele refletiu. Agora é a sua vez de brilhar.
Yunice respondeu: “Nem preciso mexer um dedo. A vaidade dela vai ser o próprio veneno.”
Eles sabiam atrair confusão como ninguém; por isso mesmo, sabiam que era melhor manter distância do evento principal.
Wyatt levou Yunice para o andar de cima, onde encontraram o lugar perfeito: visão panorâmica de toda a festa.
Ela sentou-se ereta, de frente para a grade, observando os convidados lá embaixo como se procurasse alguém.
Wyatt, por outro lado, se espalhou preguiçosamente numa poltrona de madeira de lei, alheio a tudo ao redor. De tempos em tempos, levantava os olhos, sempre na direção de Yunice. E se ela não estivesse olhando, deixava o olhar repousar um pouco mais.
Ela usava o vestido que ele tinha escolhido. Gostava de vê-la com aquele ar de princesa.
Despertando dos próprios devaneios, Wyatt perguntou: “O que você tanto olha?”
Yunice respondeu: “Não vi nem o Paul, nem o Jensen até agora.”
O sorriso de Wyatt perdeu um pouco do brilho. O olhar dele caiu na curva delicada do pescoço de Yunice, enquanto as palavras de Paul ecoavam em sua mente.
Sentindo um arrepio súbito, ela virou o rosto e o flagrou encarando-a com uma expressão afiada, indecifrável. Sem entender o motivo, passou a observá-lo com cautela.
Demorou alguns segundos até Wyatt se recompor e dizer, com leveza forçada: “Vai ver correu pra casa chorando pro papai.”
Yunice voltou a olhar para o salão, embora os pensamentos já estivessem longe dali. Lembrou-se do que Carl tinha dito mais cedo, no lounge.
Ele havia perguntado: “Você sabe por que o Wyatt surtou aquele dia na sinuca?”
Ela disse que não.
E ele respondeu: “Eu disse que faria negócio com ele... Caso te entregasse pra mim. Aí ele me deu um soco.”
Os olhos dela se arregalaram. O Wyatt bateu nele... por minha causa?
Nunca tinha imaginado que poderia significar tanto assim para alguém. A descoberta a abalou.
Agora, lembrando daquele frio repentino nos olhos de Wyatt, Yunice começou a perceber um padrão: toda vez que mencionava Paul na frente dele, ele ficava... incomodado.
Uma nova ideia começou a se formar na mente dela.
....
“Sr. Jackson está elegante como sempre!”
“Com essa nova geração promissora e a família Powell em alta, não é de se estranhar que o Sr. Jackson esteja de tão bom humor!”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha Invisível