Owen estava claramente descontente com ela. “Foi a família Powell quem descobriu isso. Se o Paul não tivesse vindo falar comigo pessoalmente, eu nunca teria imaginado que você era capaz de uma loucura dessas!”
Yunice franziu a testa, mas não disse nada. Por dentro, no entanto, sentiu uma onda de alívio, então era a família Powell que estava investigando ela.
Desde que ninguém a tivesse traído, ela podia lidar com isso. Com o passar dos anos, confiar nas pessoas tinha se tornado cada vez mais difícil.
Quando Owen a chamou para ir ao escritório dele, Yunice pensou que ele finalmente tivesse criado juízo percebendo que certas coisas deveriam ser ditas em particular, e não na frente dos outros. Mas assim que entrou na sala, viu que todos já estavam lá.
Lily, com o joelho machucado, estava sentada. Elsie, com os dedos enfaixados, estava em pé atrás dela.
No instante em que Yunice entrou, as duas a encararam com uma mistura estranha de pena e desconforto como se sentissem dó dela, mas também não soubessem como tocar no assunto.
Aquele olhar já dizia tudo: o segredo mais profundo que ela tinha enterrado já não era mais segredo.
Paul entrou atrás dela com Owen, que se virou e trancou a porta.
“Não tem nenhum estranho aqui”, disse Owen. “Você não precisa se preocupar com isso vazando.”
Yunice sentiu uma fisgada no peito. Para ela, eram exatamente essas pessoas que eram os estranhos.
Ela zombou. “Então, todos vocês já sabem?”
A voz de Elsie estava carregada de compaixão. “Yunice, se o Owen não tivesse contado, a gente nunca teria imaginado que algo tão horrível tinha acontecido com você. A gente sente muito.”
Owen completou: “A Elsie chorou tanto quando soube, que os olhos dela estão todos inchados. E a mão ainda está machucada, se continuar chorando desse jeito, vai atrasar a recuperação.”
Ele dizia isso para mostrar a Yunice que a família se importava com ela, que estavam preocupados com seu bem-estar.
Mas ela continuava fria e apática. “Se você sabia que isso ia deixá-la assim, por que contou a ela em primeiro lugar?”
“Yunice, não fique brava com o Owen. Fui eu que insisti. Também faço parte da família... Só queria ajudar...” Elsie a olhava com os olhos vermelhos e marejados, como se tivesse medo de que a irmã explodisse com ela.
Claro que Owen correu para defendê-la. “A Elsie só está preocupada com você. Não seja tão ingrata!”
Depois se virou para acalmá-la: “Não chora mais. Você gosta de se arrumar, se isso afetar a recuperação da sua mão, não vale a pena.”
Paul se aproximou e enxugou as lágrimas de Elsie com um lenço. “O coração dela é de pedra. Você chora por ela e ela não dá a mínima.”
Viu só? Disseram que a chamaram para ajudá-la, mas bastou a Elsie derramar algumas lágrimas para que tudo girasse em torno dela de novo.

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