Era um prédio de vidro. A borda tinha apenas dez centímetros de largura. Ela só conseguia apoiar a ponta dos pés, os calcanhares ficavam no ar.
Fechou os olhos por um momento, com medo demais de olhar para baixo. Tudo que podia fazer era olhar reto à frente e dar uma espiada ao redor. Havia aberturas de ventilação não muito longe em ambas as direções.
Se ela escalasse para a esquerda, teria que passar por aquele corredor novamente...
Então tomou uma decisão rápida de rastejar para a direita. Sabia que sua resistência não duraria muito. Quanto mais hesitasse, mais fracos seus membros ficariam. Sem perder tempo, agarrou qualquer coisa que pudesse ajudar a suportar seu peso.
Honestamente, se conseguisse superar o medo de altura, essa escalada não era muito diferente de equilibrar-se numa calçada quando criança.
Exceto que esse jogo não permitia erros. Quando finalmente conseguiu se arrastar até a janela de ventilação do quarto à direita, esticou a mão.
Mas a janela era alta demais. Não só não alcançou, como seu tornozelo travou de cãibra.
Suportando a dor, mudou de tática. Primeiro agarrou a plataforma que segurava a unidade externa ao seu lado. Foi um esforço enorme para se içar até lá, e quando conseguiu ficar de pé, suas pernas cederam e desabou na pequena plataforma, completamente exausta.
Com o coração ainda acelerado, decidiu descansar um pouco nesse ponto relativamente seguro antes de bolar um jeito de pedir ajuda. Afinal, ninguém esperaria que ela realmente escalasse pela janela.
“Para de andar de um lado para o outro. Está me deixando tonto.”
De repente, ao ouvir a voz de Paul, os olhos dela brilharam. Em uma situação tão desesperadora, ouvir uma voz familiar era como agarrar uma tábua de salvação.
Ela se levantou de um salto e olhou para a janela de ventilação acima.
A janela estava aberta. Podia ouvir as vozes vindo de dentro.
Justo quando ia gritar, a voz irritada de Owen cortou o ar. “Se o Morgan ousar tocar num fio de cabelo da minha irmã, juro que não vou deixá-lo escapar impune!”
Morgan? Morgan é quem me sequestrou!
Ela não duvidava nem por um segundo que Morgan faria algo assim. Ele já era infame como um riquinho inconsequente que agia sem pensar nas consequências. Saber que Owen e Paul estavam lá dentro a deixou muito mais tranquila.
De pé na plataforma da unidade externa, gritou para a janela de ventilação: “Owen! Owen!”
Não tinha confiança de que conseguiria escalar até o respiradouro. Não queria morrer, então, mesmo que as coisas tivessem azedado entre ela e Owen, ainda escolheu pedir ajuda.
Ele ainda é meu irmão, né?
Gritou com todas as forças. Não demorou muito para ver Owen e Paul aparecerem na janela. Parecia que tinham ouvido algo, mas não conseguiam distinguir as palavras.
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