Owen contava silenciosamente na cabeça, tentando calcular quantos segundos a garota aguentaria antes de mandar pararem.
Ele não acreditava que ela não se importava nada com ele, que realmente não ligava para a família Saunders.
O careca fez um leve aceno, sinalizando para os seguranças avançarem. Uma dúzia deles cercou o homem, empilhando-se com toda a força. Ninguém resistiria àquela pressão.
Owen logo foi soterrado pelo peso. O careca ficou de lado, comandando: “Um em cima do outro, empilhem mais alto.”
Então, pareceu lembrar de algo e se virou para perguntar: “Esqueci de confirmar, Sra. Saunders, quanto tempo quer que esse jogo dure?”
Ela não respondeu. Talvez não tivesse ouvido, ou talvez não quisesse. Seus olhos estavam fixos em Owen, agora preso sob uma montanha de corpos.
O rosto dele ficou vermelho, depois roxo. Parecia não conseguir respirar. A boca abria e fechava, mas nenhum som saía.
Havia gente demais empilhada, alguns mal conseguindo se equilibrar, mexendo-se o tempo todo para encontrar espaço.
Owen sumiu completamente sob o peso esmagador. Nem o rosto era mais visível, muito menos havia chance de respirar.
Um homem de 1,80 metro, enterrado tão fundo que era irreconhecível, só uma mão ensanguentada, com veias saltadas e dedos tremendo, arranhava o chão como se fosse o último fio que o mantinha vivo.
Yunice encarava a cena, rígida, como se o sangue tivesse congelado nas veias. Não conseguia mover um músculo.
Seus olhos ardiam vermelhos. Sentia o gosto metálico de sangue na garganta e queria se mexer, se afastar, mas o corpo parecia uma máquina enferrujada, cada movimento doía. A mente voltou para Lauren, a garota que morreu jogando esse mesmo jogo.
Ela passou pela mesma coisa. Quando morreu, os olhos nunca fecharam. Aquelas pupilas sem vida, num rosto machucado e inchado, encaravam as grades de ferro acima com um rancor sem fim.
Quando Yunice foi vê-la, aqueles olhos mortos ainda pareciam ter um brilho fraco, como se estivessem cheios de palavras, mas nunca tiveram chance de dizê-las.
Só de pensar naquele momento, a garota sentia como se uma mão apertasse sua garganta. Não conseguia respirar.
Bem quando caiu de volta naquele pesadelo paralisante, uma mão quente envolveu a dela, firme e estável contra a pele.
Ela piscou, voltando ao presente, e olhou para cima, o olhar nervoso e incerto encontrando o de Wyatt.
Ele a observava com curiosidade, como se não entendesse bem o que ela estava passando, mas o leve sorriso nos lábios carregava uma calma silenciosa.
A jovem respirou fundo. Após alguns segundos, finalmente encontrou a voz. “Chega... Parem.”
Wyatt passou o braço pelos ombros dela e a guiou para longe, sem intenção de deixá-la ver a humilhação completa de Owen.

Cof! Cof!
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