— Gabby?
Delphine disse ao sair pela porta.
O som da voz dela fez o estômago de Isla se revirar.
Delphine deu mais alguns passos para fora da porta aberta. Ainda vestia um casaco creme que abrigava uma elegante blusa creme e uma saia bege justa. Seus cabelos loiros e brilhantes emolduravam perfeitamente o rosto, e seus lábios vermelhos se curvaram em um sorriso leve.
Isla não conseguia acreditar. Seu coração falhou uma batida, uma estranha pressão se formando em seu peito.
— Senhora Wyndham.
Jude apareceu atrás de Delphine, cumprimentando Isla com um aceno de cabeça. Em seguida, virou-se para Gabriel.
— A senhorita Winthrope tem um compromisso com o senhor. — Disse ele.
Gabriel assentiu, dispensando-o.
O ciúme consumiu Isla, e ela quase não conseguiu se controlar. Tentou engolir aquilo, mas queimava em sua garganta.
Antes que pudesse falar, sentiu a mão firme de Gabriel se apertar em sua cintura, e então ele falou.
— Eu convidei Delphine. — Disse com naturalidade, em um tom firme.
— Precisamos resolver algumas questões.
Questões? Isla piscou, tentando entender.
Os lábios pintados de Delphine se curvaram em um sorriso de escárnio que fez o sangue de Isla ferver. Um sorriso que dizia: eu já estive aqui antes. Os dedos de Isla coçaram com a vontade de apagar aquela expressão do rosto dela, mas ela permaneceu imóvel, com a postura calma e controlada.
— Vamos entrar. — Disse Gabriel com voz serena.
A mão dele continuou em volta da cintura de Isla enquanto a conduzia para dentro do escritório. A porta se fechou suavemente atrás deles. Delphine os seguiu com passos lentos e confiantes, seus saltos ecoando suavemente no piso polido.
Gabriel guiou Isla até o sofá de couro macio e depositou um beijo leve no topo de sua cabeça.
— Isso não vai demorar. — Disse em voz baixa.
— Confie em mim.
Isla não confiava em Delphine, nem um pouco, mas queria confiar no marido. Então assentiu, mesmo com o coração inquieto.
Delphine sentou-se em frente à mesa executiva de Gabriel, cruzando as pernas com elegância. Gabriel tirou o paletó, revelando como a camisa azul sob medida se ajustava ao seu corpo bem definido. Ele pendurou o paletó com cuidado e se sentou na cadeira, agora com uma expressão séria.
— Não pretendo desperdiçar seu tempo. — Começou, com a voz profissional e de certa forma dura.
— Então serei direto com você, Delphine. Aceitei a responsabilidade pela sua gravidez porque não quis constrangê-la diante da minha família. Fiz isso por respeito ao nosso passado. Mas, quando a criança nascer, exigirei um teste de DNA.
As palavras atingiram Delphine como uma pedra.
O rosto dela se contorceu em choque, os olhos piscando repetidamente.
— Como… como você pode dizer isso para mim, Gabby? — Sussurrou, antes de a voz se quebrar e lágrimas escorrerem por seu rosto.
Isla permaneceu sentada em silêncio, observando a cena com grande interesse. Revirou os olhos levemente, apertando os lábios para esconder a irritação. O choro parecia dramático mas parte dela também via a dor por trás daquilo. Ainda assim, sua paciência estava se esgotando.
De repente, o celular vibrou dentro de sua bolsa. O toque cortou a tensão. Ela o puxou rapidamente, era um número desconhecido.
— Preciso atender. — Disse suavemente, levantando-se e já caminhando para fora.
Gabriel virou a cabeça na direção dela, franzindo a testa.
— Amor, aonde você vai?
— Atender uma ligação. — Respondeu.
— Já volto.
Ele assentiu com relutância. A porta se fechou com um clique atrás dela.
As lágrimas de Delphine se intensificaram no momento em que Isla saiu. Mas desta vez não parecia encenação. Sua voz tremia de dor genuína.
— Então agora você pode chamá-la de amor na minha frente? — Disse amargamente.
— Gabriel, eu te amei por anos. Eu daria minha vida por você, e você sabe disso. É isso que eu recebo? Lembra do que você me prometeu? Você disse que nunca me deixaria. O que aconteceu com isso?
Gabriel suspirou profundamente. O maxilar se contraiu.
— Delphine… três anos atrás, antes de você ir embora, eu pensei que—
— Por favor. — Ela o interrompeu de repente, enxugando as lágrimas.

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