A porta rangeu ao abrir, e o Dr. Matt entrou seguido por uma enfermeira, com uma prancheta na mão e a preocupação estampada em cada linha de seu rosto.
Ele percorreu o quarto com o olhar, seus olhos aguçados movendo-se de um rosto tenso para o outro. O ar estava pesado, aquele tipo de densidade que denunciava o luto e a fúria.
— Eu gostaria que todos esperassem gentilmente na sala de estar. — Disse ele com firmeza, embora o tom fosse educado.
— Preciso realizar o check-up final antes que minha paciente receba alta.
John assentiu imediatamente.
— Tudo bem, Dr. Matt. — Disse ele, voltando-se para Gabriel, Charles e Diana, sinalizando silenciosamente para que o seguissem.
Ninguém contestou. Embora a tensão no quarto ainda fosse palpável, ela começou a ceder ligeiramente à medida que todos saíam, deixando Isla sozinha com o médico e a enfermeira.
Assim que a porta se fechou, o silêncio retornou.
O Dr. Matt aproximou-se da cabeceira, sua expressão tornando-se mais suave enquanto abria a pasta em suas mãos. A enfermeira, vestindo um uniforme rosa-pálido, aproximou-se para desconectar a linha do soro do braço de Isla. A leve picada mal foi registrada por ela, cuja mente estava em outro lugar.
Quando a enfermeira terminou, o Dr. Matt perguntou:
— Você tem alguma queixa? Alguma dor, náusea, tontura?
— Apenas dor de cabeça. — Isla respondeu baixinho. Seu peito também doía, uma dor surda que ia e vinha, mas ela não mencionou. Sabia que aquela dor não era física; vinha de tudo o que suportara nos últimos dias.
O Dr. Matt assentiu, rabiscando uma nota. Sua voz suavizou-se quando voltou a falar:
— Os resultados sobre o aborto saíram. Até agora, tudo parece bem. Não há danos internos ou infecções. Em algumas semanas, vocês poderão tentar uma nova gravidez. Não esperem muito tempo.
Isla sorriu de leve, embora o gesto não alcançasse seus olhos.
— Sim, doutor. Vou manter isso em mente.
Ele deu um aceno encorajador.
— Ótimo. Aconselho que descanse o máximo possível e tome seus medicamentos no horário. Isso será tudo por enquanto.
Ele virou-se para sair, mas Isla o deteve com uma pergunta que martelava em sua mente.
— O senhor disse que poderíamos tentar novamente em algumas semanas. — Disse ela calmamente.
— Pela sua definição, quão cedo seria isso?
O médico voltou-se para ela, sua expressão abrandando-se ainda mais.
— Assim que o seu corpo se sentir pronto. — Respondeu ele.
— Geralmente, uma ou duas semanas de repouso são suficientes. Apenas permita-se curar antes de tentar de novo. — Ele sorriu de forma tranquilizadora.
— E não se esqueça de voltar em uma semana para o seu check-up pós-alta. Apenas um procedimento de rotina.
— Certo. Obrigada, doutor.
Ele assentiu mais uma vez antes de sair, com a enfermeira logo atrás. O som da porta se fechando pareceu o fim de algo pesado e o início de algo que ela precisava enfrentar.
Por um longo momento, Isla apenas ficou ali sentada, ainda com a camisola do hospital, sua mente girando por tudo o que acontecera.
Pensou no olhar de Gabriel quando ela mencionou mandar Anna para a cadeia, aquela tempestade de conflito entre o amor e o horror. Pensou na voz suplicante de John, implorando para que ela deixasse Alfred resolver tudo.
Sua cabeça doía, mas não pela queda. Doía pelos segredos que pressionavam seu peito.
Ela balançou a cabeça lentamente. Não podia mais ficar em silêncio. Não depois de tudo. Gabriel já pressentia que algo maior lhe estava sendo escondido e, se ela não agisse agora, poderia perder a confiança dele completamente.
A porta abriu-se novamente, desta vez com delicadeza. Diana e Charles entraram, suas expressões mesclando exaustão e cuidado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Extraordinária Noiva da Família Wyndham