— A pessoa que me atacou — começou Isla em voz baixa, com a voz tremendo — foi Anna Wyndham.
O peso de suas palavras foi tão esmagador que até o zumbido suave das máquinas do hospital pareceu desaparecer.
Ela as repetiu, desta vez mais alto, com seus olhos azuis endurecidos e frios:
— Ela disse que, só por cima do cadáver dela, eu daria à luz o meu bebê.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
Gabriel cambaleou para trás, como se tivesse sido atingido por algo pesado. Sua mão foi direto para a testa; seus dedos pressionavam a têmpora enquanto todo o seu corpo estremecia.
Charles agiu rápido, segurando-o pelo braço para estabilizá-lo antes que ele perdesse o equilíbrio.
Os lábios de Diana se abriram, mas nenhuma palavra saiu. Ela ficou boquiaberta, com o fôlego suspenso, e toda a cor sumiu de seu rosto.
— Anna... atacou você?
A voz veio do limiar da porta. Era profunda, carregada de emoção e terrivelmente familiar.
Todos se viraram.
Era John, o pai de Gabriel. Sua figura alta preenchia a entrada, com o rosto pálido e exausto. Seus olhos verdes estavam injetados, com uma vermelhidão quase idêntica à de Gabriel.
Ele entrou no quarto com passos pesados e parou bem ao lado da cama de Isla.
— Diga-me — disse ele, com a voz agora mais calma, mas tremendo por baixo da superfície —, ela realmente fez isso com você?
Isla olhou para ele e assentiu.
Ela notou o estresse estampado em suas feições. John Wyndham sempre parecera mais jovem do que a idade que tinha, mas agora parecia envelhecido, gasto e com o coração partido.
— Sim, pai. — Respondeu Isla suavemente.
— Ela fez. Ela tirou o meu bebê. Ela me arrastou para um depósito logo depois que saí do escritório do vovô. Ela me atacou com um dispositivo perigoso.
O horror nos rostos de todos se intensificou.
— Oh, Deus... — Diana arquejou, levando as mãos à boca.
O quarto inteiro mergulhou em uma quietude terrível. O ar parecia espesso, sufocante. As lágrimas de Gabriel voltaram a cair; desta vez, ele não conseguiu contê-las.
John cerrou os punhos ao lado do corpo, a mandíbula tensa. Seus lábios tremeram ao falar, cada palavra gotejando dor e descrença. — Então ela fez tudo isso com você? — Perguntou ele lentamente. — E ainda assim, ela jogou a culpa no meu pai?
Ninguém respondeu.
O silêncio que se seguiu foi doloroso. Diana abaixou-se ao lado de Gabriel, secando as próprias lágrimas com dedos trêmulos.
Ela não conseguia acreditar que sua filha grávida tivesse suportado tantas coisas terríveis, indefesa nas mãos de alguém que deveria ser sua família.
Seu luto rapidamente se transformou em raiva.
— Aquela mulher — disse Diana subitamente, a voz afiada de fúria —, eu mesma vou dar um jeito nela. Já estou bastante farta de sua maldade...
— Não, você não pode. — Isla interrompeu, com a voz fraca, porém firme.
John permaneceu estático, as mãos pressionadas contra os olhos, esfregando-os como se tentasse bloquear o mundo lá fora. Sua mente estava longe. Ele sabia que tudo o que aconteceu poderia ter sido evitado. Mas eles subestimaram Anna.
Gabriel aproximou-se de Isla novamente, o coração se despedaçando mais uma vez. Ele se inclinou, seus lábios roçando o canto da boca dela gentilmente.
— Sinto tanto. — Sussurrou ele.
— Eu deveria saber que você não estava segura naquela casa. Eu nunca deveria ter deixado você sozinha quando meu papel era te proteger.
Suas palavras cortaram a todos no quarto.
— Como eu disse antes — respondeu Isla docemente, lágrimas enchendo seus olhos de novo —, não é sua culpa. Pare de se culpar.
Gabriel assentiu devagar, com um sorriso fraco e quebrado curvando os lábios, o tipo de sorriso que dizia tudo o que as palavras não alcançavam.
Após um longo silêncio, Isla falou novamente:
— Posso ter meu telefone?
Gabriel piscou.

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