Alfred fechou os olhos por alguns segundos, permitindo que o silêncio pairasse na grande sala de jantar. Seu peito subia e descia lentamente. Embora seu coração estivesse pesado, ver o calor se espalhando pela sala entre os membros de sua família o encheu de um alívio silencioso.
Faziam anos que ele não presenciava tal harmonia em sua casa. Risadas compartilhadas sem fingimento, sorrisos não pintados pela ganância ou pela rivalidade. Pela primeira vez em muito tempo, parecia que um lampejo de paz finalmente retornara à família Wyndham.
Ele observou a todos de perto.
Landon estava agora sentado ao lado de Isla, com uma expressão tão brilhante e cheia de vida enquanto tentava fazê-la rir. Sia também estava ao seu lado; sua frieza anterior fora substituída por algo que ele conseguia identificar, quase que uma admiração.
A mudança em Sia foi o que mais o surpreendeu. Alfred há muito perdera a esperança nela, convencido de que jamais mudaria. No entanto, ali estava ela, sorrindo genuinamente, celebrando com Isla e Gabriel como se os antigos rancores nunca tivessem existido.
Por um momento, o velho sorriu. Um sorriso cansado e cúmplice.
Já não importava mais para ele quem fingia e quem não fingia. O que importava agora era que a paz finalmente encontrara o seu caminho para dentro desta família.
Ele havia desistido de Anna e Wyatt há muito tempo. Ele acreditava que aqueles dois eram um caso perdido. Eles prosperavam no caos. E talvez, na sua idade, ele não tivesse mais forças para continuar tentando consertar pessoas quebradas que se recusavam a curar.
Ainda assim, ele era o patriarca, e sua palavra deveria ser final.
Ele abriu os olhos e falou com a voz pesada.
— De agora em diante proíbo qualquer pessoa de mencionar ou trazer à tona o assunto de Delphine na frente de Isla novamente.
A conversa cessou completamente. A atmosfera mudou. Todos se empertigaram em seus assentos.
— Isla — continuou ele, com um tom mais agudo —, é a nora desta família — e a ela deve ser dado o melhor tratamento e o respeito que merece. Espero que minhas palavras sejam claras o suficiente para que todos entendam.
Ninguém ousou responder.
— Portanto — disse ele, empurrando a cadeira para trás e levantando-se lentamente —, esta reunião está encerrada.
O som de sua bengala tocando o mármore ecoou enquanto ele dava um passo à frente. Seu olhar suavizou-se quando caiu sobre Gabriel.
— Estou imensamente orgulhoso de você. Você me encheu de orgulho. E por causa disso vou te dar um mês inteiro de folga do trabalho. Descanse e cuide de sua esposa grávida. Ela precisa de você ainda mais agora. — Disse ele com sinceridade.
Os olhos de Gabriel arregalaram-se ligeiramente, depois suavizaram-se. Um mês inteiro de folga. Aquilo era um grande alívio e uma bênção. Ele sempre pudera tirar alguns dias quando precisava, mas aquilo... aquilo era diferente. Era a permissão para viver livremente com a mulher que amava, sem pressões ou interferências.
Seu coração aqueceu. Um sorriso surgiu nos cantos de seus lábios.
— Obrigado, vovô. — Disse ele baixinho, em um tom respeitoso, mas cheio de alegria.
O velho estendeu a mão e apertou a dele, era um aperto firme, uma aprovação silenciosa. Então, Alfred voltou-se para Isla.
Sia e Mia rapidamente se afastaram quando o patriarca se aproximou dela. Seu olhar suavizou-se ao pousar no rosto radiante da nora.
— Você me deixou orgulhoso, minha querida. — Disse Alfred.
— Estou muito satisfeito com você. — Ele fez uma pausa, sua expressão tornando-se séria.
— Mas agora, você e eu precisamos conversar, e será no meu escritório.
O clima alegre mudou instantaneamente. As sobrancelhas de Gabriel se franziram. Até os outros trocaram olhares confusos.
O velho notou a preocupação deles e sorriu fracamente.
— Celebraremos adequadamente após o primeiro trimestre dela. — Acrescentou ele, com a voz mais gentil agora.
— Vocês têm a minha palavra.
Isso ajudou um pouco, mas Gabriel ainda estava inquieto. Por que o avô iria querer falar com Isla a sós?
— Venha, Isla. — Disse Alfred, gesticulando em direção à porta.
— Venha comigo. Precisamos conversar.
Isla levantou-se imediatamente, embora seu coração tivesse acelerado. Antes de segui-lo, ela buscou a mão de Gabriel e a apertou suavemente, assegurando-lhe de que tudo estava bem.
Ele assentiu, embora seus olhos a seguissem até que ela desaparecesse pela porta ao lado de Alfred.

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