O silêncio pesado dentro do escritório de Alfred Wyndham prolongou-se por tempo demais.
O velho patriarca estava sentado em sua imponente cadeira executiva, com os ombros levemente inclinados para trás e a bengala apoiada na borda da mesa. Seus olhos cansados moviam-se entre as duas pessoas sentadas à sua frente.
Diante dele estavam seu filho e sua nora, além dos outros rostos inquietos espalhados pela sala.
Ele parecia profundamente decepcionado.
— Antes de tudo — começou Alfred, com a voz baixa e fadigada —, estou decepcionado com você, John. Qualquer que fosse o desentendimento entre vocês, nunca deveria ter chegado a este nível. Você não apenas me acordou no meio da noite, mas acordou a família inteira.
A sala mergulhou em outro silêncio.
Landon e Mia estavam sentados lado a lado no sofá, ainda de pijama. Wyatt e Sia permaneciam perto da porta, ambos com aparência irritada e sonolenta. Estava claro que todos estavam exaustos.
John estava sentado rigidamente em uma das cadeiras em frente à mesa, com as mãos apoiadas nos joelhos. Ao lado dele, Anna mantinha-se ereta, com os lábios firmemente comprimidos, o rosto pálido e tenso de raiva.
A expressão de Alfred não mudou. Seus velhos olhos estavam cansados, mas seu tom carregava todo o peso da autoridade.
— Então — disse ele finalmente —, alguém vai me dizer por que fui arrastado para fora da cama a esta hora?
Anna não hesitou. Sua voz saiu afiada, quase tremendo de fúria.
— John está me traindo com outra mulher. — Declarou ela.
Suspiros de choque preencheram o escritório. Olhares foram trocados.
As sobrancelhas de Wyatt subiram. Landon nem se deu ao trabalho de esconder sua reação; soltou uma risada curta, balançando a cabeça.
— O quê? — Disse ele, incrédulo.
— Todo esse barulho... porque você acha que o papai está te traindo? Mãe, isso é ridículo.
Anna lançou-lhe um olhar mortal, mas ele apenas ergueu as mãos em sinal de rendição simulada.
O rosto de Alfred permaneceu ilegível enquanto ele se inclinava levemente para frente.
— Então — disse ele lentamente —, você acordou metade da casa porque acha que ele está traindo?
— Eu não fiz nada disso. — Disse John. Sua voz era calma demais para alguém que acabara de ser acusado. Ele parecia mais cansado do que zangado.
— E mesmo se eu tivesse feito, qual seria o problema? — Acrescentou ele, seu tom de voz não continha emoção alguma.
A boca de Anna se abriu.
— Pai, o senhor ouviu isso? — Disse ela, com a voz subindo de tom.
— Foi a mesma coisa que ele me disse mais cedo! Ele nem se importa!
A paciência de John se esgotou. Sua mão bateu levemente no braço da cadeira.
— Porque você continua me acusando de bobagens, Anna! — Retrucou ele.
Mas Anna não recuou.
— Bem, deixe-meesclarecer algo. — Disse ela friamente, cruzando os braços sobre o peito.
— Se você acha que vai conseguir se divorciar de mim, está perdendo seu tempo. Anna Wyndham jamais libertará você.
Alfred recostou-se na cadeira, massageando a ponte do nariz. Sua bengala descansava sobre o joelho enquanto ele assistia à discussão se desenrolar diante dele como uma peça de teatro para a qual não havia comprado ingresso.
Ele estava irritado, sim, mas também levemente entretido. Havia algo de absurdo em tudo aquilo.
— Quem está falando em divórcio? — Rebateu John subitamente. — Você é a única que está trazendo esse assunto à tona!
— Você não precisa falar. — Retrucou Anna.

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