Claro. Tinha que ser sobre Delphine.
Era sempre sobre Delphine.
A audácia dessa mulher, entrando em um clube, interrompendo a noite deles e ainda ousando falar sobre a ex-amante de seu marido fez o sangue de Isla ferver.
Mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, a voz de Gabriel soou baixa e firme.
— Mãe. — Disse ele, o tom carregado de uma fúria contida.
— Vou te dizer isso apenas uma vez: nunca mais mencione o nome de Delphine na minha frente ou na frente da minha esposa.
Os olhos de Anna se arregalaram em choque, mas ele continuou, com palavras duras e inabaláveis.
— Eu sou um homem felizmente casado, mãe. Eu amo minha esposa e preciso que você respeite isso. Então, se você terminou de falar, deveria ir embora.
Anna não conseguia acreditar. Ela nunca o vira falar daquela maneira. Ele parecia tão frio e distante, como se ela não fosse nada importante em sua vida. Por um breve segundo, ela pensou ter ouvido errado. Mas o tom dele não deixava dúvidas.
Antes que ela pudesse formular uma resposta, a voz de Isla rompeu o silêncio. Sua voz era suave, mas afiada como vidro.
— Sogra. — Começou Isla, com o tom calmo, mas as palavras precisas.
— Em vez de se esforçar tanto para destruir o meu casamento, talvez devesse se preocupar mais com o seu. Porque, se você ainda não percebeu, ele já está desmoronando.
Ben e Peter paralisaram. Gabriel piscou, virando a cabeça lentamente em direção à esposa.
Isla não parou.
— Caso você não saiba — continuou ela, com a voz clara e cortante —, o sogro tem visto outra pessoa, secretamente. Mas suponho que você não notaria, não é? Está ocupada demais se metendo na vida do seu filho para perceber que seu marido está escapando pelos seus dedos.
Anna perdeu o fôlego.
— Quero dizer... — Isla deu de ombros, inclinando levemente a cabeça.
— Eu não posso culpá-lo, na verdade. Você claramente não dá a ele a atenção que ele deseja, então ele está buscando em outro lugar. E honestamente, sogra, essa mulher que ele está vendo... — Isla inclinou-se para frente, sorrindo docemente. — ...ela é muito mais bonita que você. Acredite em mim. Eu mesma a vi.
Foi um golpe perfeito.
Limpo, preciso e brutal.
Anna saltou da cadeira, o rosto vermelho de fúria. Se Isla não estivesse observando de perto, poderia jurar que viu fumaça saindo de suas narinas.
— É bom que você esteja certa sobre o que acabou de dizer, mocinha. — Sibilou ela, com a voz tremendo.

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