Percebendo sua expressão, ele se aproximou e a questionou gentilmente.
– Você está bem? – deu uma piscadela. - Não se preocupe com Alberto. Como eu te disse antes, somos amigos de longa data. Esse cara é tipo cão que late mas não morde.
“Ah ele morde. Com certeza não só morde, ele estraçalha!” Pensou, fuzilando aquele homem com o olhar.
Considerando o choque dela como reação a presença de um dos diretores da empresa. O seu pobre amigo nem percebeu que ela olhava com raiva para sua acompanhante.
Após cumprimentos e apresentações engessadas, Amélia se levantou dizendo que ia ao banheiro. Não demorou um minuto para que Sam a seguisse, adentrando o lugar com lágrimas nos olhos.
Ela abraçou Amélia estática, apoiada na pia.
- Você nunca me contaria, não é? – perguntou olhando para o rosto bonito e perfeitamente maquiado da prima.
- Eu não podia, eu sei o quanto esse emprego é importante para você e sua carreira. Você tomaria atitudes que poderiam acabar com seu futuro profissional só para tentar me defender.
- Por que estava com ele? – Amélia sentia uma fúria cega crescendo dentro dela.
Alberto era aquele imbecil que estava destruindo sua prima. O homem responsável pelos episódios de alcoolismo, pela constante instabilidade emocional de Samanta e também por ela esconder esse relacionamento. Como se fosse uma amante suja.
- Mel, eu só vim aqui para conversar. As coisas são...complicadas.... e..
- Complicadas? – Amélia segurou Samanta pelos braços. – O que tem para conversa? Você mesma me disse que ia terminar, que esse verme te traiu!
- Eu preciso ouvir o que ele tem a dizer.Por favor, me entenda, Mel. – indignada a outra se soltou de seu aperto, caminhando de um lado para o outro. – Não sou forte como você, eu jamais conseguiria fazer o que está fazendo com Ícaro.
- Não faça comparações absurdas! Esse homem te faz mal, é humilhante como se degrada toda vez que sai com ele. Ele não vai mudar, Samanta!
- Por favor Mel, ... – os olhos negros dela se encheram novamente e ela abraçou o próprio corpo esguio.
O vestido cinza claro de alfaiataria marcava levemente a cintura e acabava bem antes do joelho exibindo as pernas longas e torneadas, a pele morena era ressaltada pelos acessórios dourados e a sandália de salto com amarração nos tornozelos. Qualquer um diria que Sam era uma modelo internacional.
- Sam eu não quero que seja enganada de novo...eu acho melhor irmos embora.
- Não posso ir embora. Eu já disse que preciso falar com ele- ela balançou os cachos sedosos, e deu um sorriso forçado. – Vem, vão estranhar nossa demora.
-Me desculpe Sam, eu não consigo nem olhar para aquele desgraçado. Se despeça por mim.
-Mel...Não faz isso.. Por favor fica..

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