Enquanto ele dirigia pelas ruas apinhadas no trânsito caótico de São Paulo, Amélia enviou uma mensagem para Ícaro, avisando de sua mudança de planos.
Não pretendia ficar fora por muito tempo, mas não achava certo sair assim sem dizer onde estava.
O painel do carro de Ticiano piscou, mostrando uma chamada de Íris, ele logo a ignorou, praguejou baixinho.
– E aí, como está o seu projeto? Imagino que está na fase de finalização, certo? A premiação está próxima.
- Está praticamente pronto. Neste fim de semana não farei mais nada além de ver e rever tudo. Tudo precisa sair perfeito.
- Tenho certeza que vai se sair muito bem.
O lugar não era longe. Depois de quarenta minutos, estacionaram frente ao barzinho. O Cuba era famoso entre os executivos da Paulista. Ficava próximo ao Jardins, e o pessoal gostava do ambiente leve e da música boa.
Ticiano ajudou Amélia a descer do carro. Entraram conversando sobre o dia tenso que tiveram, em seguida se acomodaram em uma mesa no deque do segundo andar.
- Torço para que você seja a vencedora. Será a primeira estagiária a ganhar esse prêmio. E com ele vem um grande prestígio.
Ele abandonou o blazer do terno no encosto da cadeira, e dobrou as mangas da camisa branca impecável até os cotovelos, expondo várias tatuagens intrigantes que se pareciam com desenhos simbólicos e totens com vários animais.
Essa parte de seu amigo a surpreendeu. Pelo pouco que sabia dele, Ticiano era obsessivo por trabalho, e isso causava muitos problemas com Íris, a bela morena de olhos puxados que ele namorava.
Ticiano era perfeccionista e tinha toque por limpeza, isso o tornava refém de seus rituais de limpeza e arrumação.
Soube através das conversas dele com outros funcionários, que gostava de esportes radicais, e que sempre estava envolvido em alguma coisa relacionada. Ele disse que tinha essa inquietação desde que foi adotado por sua família.


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