Amélia
A raiva fervilhava dentro dela só de olhar o estado apático de Samanta. Soube na última conversa que tiveram, que o namorado escrota estava traindo sua prima.
O que para ela, não era surpreendente.
Esse homem era um lixo, que só fazia mal a Sam. Totalmente diferente de Ícaro, que cuidava dela em todos os sentidos.
- Sam, você precisa dar um basta nessa situação. Nada de bom pode surgir do envolvimento com esse babaca. – Amélia segurou as mãos dela por cima da mesa.
O restaurante estava pouco movimentado depois das duas da tarde, e assim, se sentiu mais tranquila para falar abertamente com ela.
- Eu sei que preciso terminar. Mas ainda não consigo olhar para ele. – os olhos dela marejaram, Sam bebeu a taça de vinho de uma vez.
O hábito de se afogar no álcool a cada frustração e desilusão, preocupava Amélia. Esse problema vinha desde que Sam perdeu Pietro.
Nem mesmo os sentimentos sinceros de Guilherme, foram o suficiente para resgatá-la daquela trilha de auto destruição.
Com o passar dos anos, se convenceu de que um dia sua prima encontraria alguém que desse sentido a sua vida, e que assim pudesse realizar o sonho de ter uma grande família, cheia de afeto.
Vários namoros e muitos encontros depois, Sam continuava na mesma. A cada rompimento, um buraco maior se abria em sua carapaça. Ela estava perdendo as esperanças, o brilho natural dela se esvaia a cada nova derrota.
Amélia ofereceu um lenço de papel. Segurou a profusão de palavrões entalados em sua garganta. Odiava aquele homem sem rosto e sem fora, esse maldito estava destruindo a única família que ela tinha.
- Já está na hora de você revelar quem ele é.
- Isso não importa mais. Ele já me substituiu, antes mesmo de acabar.
- Mais uma razão para você parar de proteger esse desgraçado.


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