Conversar com Amélia no último fim de semana foi reconfortante e desafiador. Por diversas vezes quase revelou a identidade de Alberto.
A reprovação de sua prima tinha motivos, se observado pela visão dela, era um relacionamento tóxico.
Mas Mel não sabia de praticamente nada sobre eles. Ela não conhecia a profundidade de seus sentimentos, nem mesmo os sonhos que construiu com esse homem.
Alberto insistia em ir até sua casa, mas ela se recusava a recebê-lo. Bloqueou as ligações e mensagens, não queria olhar para ele e ver aquela imagem odiosa novamente.
Pensando bem, ela era culpada por isso. Tudo entre eles mudou depois daquela sessão de dominação sádica. Sam se sentia fraca e irrelevante para o homem que tinha ao seu lado.
Depois daquilo, ele se tornou reticente e às vezes frio, mas abandonou o relacionamento que tinham. O sexo se tornou convencional, e Sam desenvolveu a ideia obsessiva de preencher esse vazio no peito com um bebe.
Certamente, esse também era mais um motivo para ele buscar alívio em outra mulher.
Ela nunca superou a morte de seu primeiro filho. O bebe que carregou e gerou por oito meses perdeu a vida durante a fuga do Rio de Janeiro, há cinco anos.
Chegou a culpar Guilherme, que era seu noivo na época. Ele ultrapassou vários carros, tentando despistar os seguranças de Fernando Vidal que descobriram o resgate de Melissa quando já estavam saindo da cidade.
E em uma das manobras, o carro em que estavam foi atingido na lateral por outro veículo.
Não foi uma colisão grave, saíram rápido do local e conseguiram chegar a São Paulo sem os seguranças. Mas o lado que sofreu os dados da batid@, era o que ela estava.
No hospital, descobriu que os batimentos do bebe estavam caindo, e ela foi levada às pressas para uma cesariana de emergência.
Mas era tarde demais. Pietro, seu bebezinho, já estava sem vida. Naquele dia, parte dela morreu com aquela criança. O vínculo com Guilherme se rompeu, não conseguia mais olhar para ele sem se lembrar do rostinho sem vida de Pietro.
Ele era um homem de caráter. Ajudou a cobrir os rastros de Melissa, cuidou das duas durante o tempo que ficaram no hospital, e nunca em nenhum momento permitiu que fossem descobertas.
Guilherme merecia ser feliz com alguém que valorizasse o homem que ele era. Foi ele quem cuidou do enterro do filho deles, e aguentou sozinho a solidão e o abandono.


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