Samanta
Os olhos de Sam continuavam fixos no pescoço da prima sentada à mesa da cozinha trabalhando sem parar no notebook.
Na noite anterior, chegou tarde em casa, e viu que o carro de Ícaro estava estacionado lá fora.
O estranho é que Amélia tinha comentado por mensagens, que um amigo da empresa viria ajudar com o seu projeto de arquitetura. Ela até citou o nome, um tal de Ticiano.
Então, Sam ficou confusa quando percebeu que era Ícaro quem estava lá com ela.
Ele não dormiu na casa delas. Amélia amanheceu na cozinha trabalhando, com uma aparência cansada e de poucos amigos.
Sam ponderou se deveria ou não perguntar sobre as marcas no pescoço, colo e braços dela, ou se poderia perguntar sobre a linda coleira de submissa, cravejada de diamantes rosa.
- Por quanto tempo mais você vai ficar me analisando Samanta? – ela perguntou, com os olhos fixos na tela.
Sam estendeu uma xícara de café fumegante.
- Estou tentando entender por que você está irritada. Seu homem estava aqui ontem, pensei que acordaria de bom humor depois do trato que aquele gostosão te desse.
- Aquele idiota não é “meu homem”. – respondeu com uma careta. – Ele apareceu aqui sem convite. Pelo menos me ajudou com algumas dúvidas sobre a planta.
- O que ele achou do seu projeto.
- Ele não viu o projeto. Isso seria favorecimento na competição. Completamente antiético. Só apontei minhas dúvidas e perguntei o que poderia ser feito em relação às matrizes pré definidas da Acrópole, porque não batem com o que eu planejei.
- Entendi... – Sam sorriu maliciosa. – E em que momento ele te deixou com raiva? Antes ou depois dos chupões?
- Vai a merda Samanta. – respondeu ela, irritada, mostrando o dedo do meio.
- Você tá mesmo com raiva! Conta logo!
- Ele sabia que o meu amigo viria até aqui, e deu trabalho extra para o Ticiano somente para que ele não pudesse vir.
- Que pilantra! – Sam gargalhou. – Usando um truque sujo desses somente por ciúmes.
- O que? – Amélia olhou para ela surpresa.
- É sério que você não parou para pensar nisso, Mel? – Sam balançou a cabeça frustrada. – Você é uma pedra quando se trata de relacionamentos.
- Não acho que seja assim. Ícaro é controlador, só fez isso porque eu não contei a ele o que pretendia fazer a noite.
- Mel, você é dele, a sub dele. Entendeu? – Sam falou, encontrando a expressão confusa de sua prima. – Você sabe disso, não é?
- Sei do que? Do que você está falando?
- Você é a Sub do Ícaro. É disso que eu estou falando.
- Sub? De que cacete você está falando? – Mel olhou fechou o computador.
Completamente concentrada no que Sam dizia.
Se Amélia não sabia o que era uma “submissa”, essa poderia ser uma simples joia. Para ter certeza, tinha que conseguir mais informações.
- Não é assim, você está confundindo as coisas. Por algum motivo, Icaro viu em você a mulher perfeita para cuidar como sua. Ele quer você somente para ele. Um mestre dominador, é o melhor tipo de parceiro para uma mulher que não sabe nada sobre o BDSM.
- Por que sabe tanto sobre isso? – perguntou ela, desconfiada.
- Meu namorado era um Dom, um Dominador.
- Lá vem você com esse cacete de homem, que ninguém sabe quem é. – resmungou Mel, limpando o rosto com raiva. – Ele te maltrata Sam.
- Não, ele cuida de mim. Da maneira dele, mas cuida. – Sam se levantou e abraçou a prima, vestida com um pijama de fatias de melancias. – E tenho certeza que o Ícaro também vai cuidar de você.
- Você fala como se o conhecesse bem.
- É só impressão sua.
- Me sinto enganada. Ele não me contou o que realmente estamos fazendo juntos. Eu achei que só éramos mais... quentes...
- E aposto que são mesmo, dá para notar pelo seu corpo todo chupado. – brincou.
- Vai se foder Samanta.
- Agora falando sério, só converse com ele, e diga tudo o que você pensa e o que quer saber. Mas tenha a certeza de que esse objeto no seu pescoço não é um símbolo pejorativo, ao contrário, simboliza a importância que você tem para esse homem.
- São muitas coisas para pensar. – Amélia se levantou. – Preciso tomar um banho e ir trabalhar. Se estiver em casa mais tarde, pode me ajudar com aquele negócio?
- É claro, querida.

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