Samanta
- Por que eu estou aqui? – a voz grave do homem impecavelmente vestido e arrumado ao lado dela, causou um ligeiro arrepio na espinha de Sam.
- Fui ao mercado para dar privacidade a Mel, mas quando voltei, o Ícaro ainda estava lá.
- E o que isso tem a ver comigo, Samanta?
- Não quero ficar na minha casa, podemos ir para o seu apartamento? Pelo menos até que eles resolvam sair do quarto.
Sam levou a mão hesitante até a coxa do homem estático atrás da direção do carro luxuoso. Quando ligou para ele, pedindo que viesse até sua casa, não imaginou que viria realmente.
Mas ele estava ali.
- Não vou fingir uma amnésia. Você foi clara o suficiente naquele coquetel ontem. O que tínhamos acabou.
- Eu estava nervosa, sabe que eu não disse aquilo pra valer.
O incidente do evento da noite passada, passou pela mente dela. No trabalho, muitas vezes era direcionada a clientes novos para dar uma atenção especial.
Isso fazia parte de suas funções como relações públicas da agência. Mas ontem, o cliente foi insistente em um flerte, a deixando constrangida quando tentou pegar a mão dela.
O seu erro foi dizer ao seu namorado onde estaria.
Não teve nem tempo de perceber o que estava acontecendo. Foi chamada pelo diretor comercial da empresa e quando voltou, ouviu a voz do cliente pedindo clemência de dentro de uma sala usada como depósito.
Ao abrir a porta, Sam se deparou com uma cena chocante. O seu namorado estava com uma arma apontada para o cliente, e o pobre homem ajoelhado, cheio de hematomas no rosto.
Sam não entendia quando e nem como o namorado foi parar ali e porque ele agia de forma tão violenta. Assustada, ajudou o homem e exigiu uma explicação.
Com a maior calma fria, ele guardou a arma e deu de ombros, afirmando que estava apenas protegendo o que era seu. “Que cacete há com esse homem?!”.
Samanta ficou louca de raiva, e disse que não queria se relacionar com um louco ciumento. Corria o risco de perder seu emprego por causa disso, ou até mesmo ser envolvida em uma denúncia por agressão.
Ele olhou para ela com a mesma expressão anterior, e disse que isso não ia acontecer.
A arrogância e prepotência desse homem sempre a surpreendiam, mas agora estava passando dos limites,
Mas, seus sentimentos por ele eram inegavelmente insuperáveis. Não conseguia simplesmente romper com ele. Por isso, assim que ela entrou em casa, ouviu os sons característicos da relação entre Ícaro e Mel; não pode deixar de sentir saudades do seu amor.
Queria sentir seu abraço e seus beijos eloquentes. Foi por isso que ela ligou para ele. E também para não incomodar os amantes.
Não imaginava que Amélia se entregaria a Ícaro tão cedo. Depois da conversa que tiveram, Sam temeu que ela fugisse dessa oportunidade de ser conquistada por um homem de verdade.
Felizmente, Ícaro foi inteligente o bastante para não deixar sua querida prima escapar de suas mãos.
- Samanta, não sou o seu garoto de programa. Se ficou excitada pelo que ouviu, compre um vibrador.
- Você é tão insensível! Eu só quero sair um pouco com você. Hoje é domingo, nós podíamos...
- Diga logo o que você quer de mim, porra! – ele respondeu, em um de seus rompantes assustadores. Seus olhos ferozes, de um verde escuro ameaçador sempre a atraíram.
Sam saiu do carro e jogou um beijo para ele. Voltando para a casa com o coração alegre, talvez hoje a noite, ele finalmente concordasse com o seu pedido.
Depois de fechar a porta atrás de si, ela seguiu para a cozinha onde deixou as sacolas do mercado. O cheiro de café permeia o ambiente.
Sorriu ao se servir de uma generosa caneca do líquido escuro. Sua prima tinha ganhado na loteria e ainda não sabia, ele até mesmo fez café para ela.
Apostaria um braço, que ele deixou uma xícara ao lado da cama com um bilhete apaixonado. Seguiu para o quarto de Amélia, louca de curiosidade para ler o que ele escreveu.
Mel dormia profundamente, sua expressão relaxada era tão bonita de se ver. Sua prima tinha noites conturbadas, repletas de pesadelo, por isso sempre tinha uma expressão atormentada durante o sono.
Mas hoje, ela estava dormindo tão tranquila, que Sam desejou que Ícaro nunca saísse da vida de sua prima.
Olhando a sua volta, localizou a caneca fumegante na mesa de cabeceira. Bingo!
Pé ante pé, se aproximou da cama. O bilhete estava dobrado, ela teve que pegar para poder ler.
Sorriu sonhadora, devia ser palavras tão românticas e cheias de significado.
“Você fica cada vez mais gostosa, minha garota malcriada. Te vejo amanhã na sua sala.
PS: Vai receber uma punição se não usar a calcinha vermelha que encontrei no seu armário.”
- Mais que diabos...! – exclamou Sam, completamente desconcertada.

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