Procurar emprego é cansativo e frustrante. Ela rodoy o dia todo procurando uma vaga que cubrisse seus gastos.
Mas não encontrou nada que chegasse perto. O único lugar que estava pagando um pouquinho melhor, ficava muito longe da faculdade, e seria impossível chegar lá no horário das aulas.
Amélia pegou o cartão do transporte público e guardou na bolsa. Passava das seis e meia da tarde, estava na hora de ir para a lanchonete.
Sábado a noite era um dia muito movimentado no estabelecimento.
Chegou ao lugar suada, com os cabelos presos em um coque frouxo, e uma mancha na calça jeans. Alguém passou por ela dentro do ônibus e derramou molho de alguma coisa na sua roupa.
Cumprimentou algumas pessoas que eram clientes assiduos, e se voltou para os fundos.
A cozinha já exalava o cheiro de fritura dos salgados e lanches. Gostava de trabalhar ali, porque não tinha que lidar com o público.
O tempo passou rápido. Logo já estava na hora de limpar tudo e encerrar a noite. Levou a última bandeja para o refrigerador. As bancadas já estavam limpas e a pia sem louça.
-Amélia, preciso falar com você.
Dona Tereza chamou da porta da cozinha. Ela e o filho, eram os donos do lugar.
-O que precisa dona Terezinha? - perguntou pegando sua mochila no gancho preso a parede do corredor.
-Eu sei que você ta batalhando para se formar. E esse emprego tem sido um extra para você. Mas o Reinaldo quer que eu te demita.
As palavras da mulher idosa a surpreenderam. Jamais esperou isso daquelas pessoas. Eles sempre foram muito gentis e compreensivos.
Reinaldo, o filho de Tereza, até chegou dizer que gostaria que ela cuidasse do caixa e das finanças, em vés de ficar na cozinha.
Ele também foi o único homem que demonstrou certo interesse afetivo por ela. Mesmo com a enorme diferença da idade, o homem disse que gostava dela, e se um dia ela quisesse namorar alguém, que o considerasse.
Obviamente, Amélia não estava interessada no cinquentão que gostava de coçar as partes em público, e fumava dois maços de cigarro por dia.
-Fiz alguma coisa para que ele tenha tomado essa decisão?
Perguntou desviando os olhos. Era decepção de todos os lados.
-Ele não me disse. - a mulher segurou o braço dela, abaixando o tom de voz- Mas hoje a tarde veio um granfino aqui, e depois que eles conversaram, o meu filho veio me falar que tinha tomado essa decisão.
-Poderia ser o Jaime Caetano? - perguntou sobre o seu ex chefe salafrário.
- Não menina. Eu estou falando de gente chique, desses que o terno custa tão caro que dá para comprar uma moto.
Quem poderia querer faze-la perder seu emprego extra?
Rico e bem vestido…. Não, não podia ser! Ele a encontrou?! Fernando …
Imediatamente reconheceu aquele SUV. O que diabos ele estava fazendo aqui?!
Os vidros foram descendo lentamente. O rosto másculo e atraente ficou visível.
-Está muito tarde para uma mulher andar por aí sozinha.
-Sr. Darius, eu sei me cuidar. Obrigada pela preocupação.
Disposta a ignorar, voltou q andar sem se importar com a resposta dele.
Não esperava que aquele louco iria para o carro encima da calçada e vir ao seu encontro.
-Quem disse que estou preocupado com você, senhorita Bastos? - respondeu segurando seus braços com firmeza.
Amélia sentiu seu corpo se arrepiar ao seu toque, e seu sangue ferver quando encontrou o olhar prateado feroz. Tentou se soltar, com medo que ele sentisse sua reação.
-Me solte, eu não quero que me toque.
-Mentirosa!
Ele não esperou por sua reação, no próximo minuto, estava dentro do carro dele. Quando levou a mão a porta para sair e correr, ele já estava sentado atrás da direção, travando as saídas do carro.

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