Alguns olhavam para ela admirando sua beleza; outros, ao fitá-la, não conseguiam conter a curiosidade em descobrir qual seria o traço especial que ela possuía, capaz de conquistar até mesmo o Lucão.
Manuela mantinha-se serena diante dos olhares, e essa postura fazia com que os mais velhos assentissem discretamente em aprovação.
Na hora da refeição, Manuela acompanhou Lucas e sentou-se à mesa com o Velho Senhor, a Velha Senhora, além dos tios e tias. Os primos mais velhos sentaram-se juntos em outra mesa, e as crianças, por sua vez, reuniram-se à parte.
Iracema Almeida era quem mais se ocupava naquela mesa: tentava ouvir, às escondidas, o que se dizia na mesa de Manuela, enquanto cuidava dos irmãos menores que faziam algazarra, ficando completamente atarefada.
Na mesa de Manuela, o assunto começou de maneira tranquila, mas não demorou muito até que alguém não conseguisse se conter.
"Pai, ouvi dizer que à tarde o Lucas foi com o senhor à empresa?" Benício Almeida perguntou. "O Lucas não estava com a saúde debilitada? Por que não ficou em casa descansando, ao invés de ir para a empresa? Além disso, ainda fez o senhor se cansar junto, sendo que o Dr. Zhao já havia dito que sua saúde não permite esforço."
"É verdade", tio Matheus imediatamente concordou. "Estamos nós na empresa, o senhor ainda não pode ficar tranquilo? Para que esse vai e vem todo?"
Enquanto falava, lançou um olhar ambíguo para Lucas, com uma expressão de compaixão forçada: "Lucas, não leve a mal o que o tio Matheus vai dizer. Antes até passava, mas agora, com seu estado de saúde, nunca se sabe quando... Enfim, está na hora de aprender a deixar as coisas irem."
O sentido era claro: por que alguém à beira da morte deveria se preocupar com os negócios da família? Melhor largar logo tudo!
Ao ouvir tamanha insolência do filho, o rosto do Velho Senhor escureceu de imediato.
"Matheus!"
"Pai, só estou dizendo a verdade", Matheus Almeida respondeu com arrogância. "Tantos médicos já disseram, o Lucas não vai durar muito. É natural começarmos a pensar no futuro da empresa."
O tio mais velho interveio: "É isso mesmo, pai. Quando o Lucas não estiver mais aqui, a Família Almeida precisa continuar crescendo. A família precisa escolher um novo líder."
Ambos estavam cheios de ambições.
Especialmente Benício, que guardava rancor por Lucas e Manuela terem arruinado a família de seu filho ilegítimo, desejando rebaixar Lucas à insignificância.
Manuela, incapaz de ouvir mais, sorriu friamente: "O tio e o tio Matheus têm razão. Se meu marido deixar de cuidar dos negócios, a Família Almeida, claro, vai precisar escolher outro para substituí-lo. Afinal, não se pode deixar de lado o desenvolvimento da família."
Assim que Manuela falou, toda a atenção da mesa voltou-se para ela.
Na Família Almeida, os mais jovens jamais ousavam se pronunciar nessas ocasiões; o fato de Manuela ter tomado a palavra causou surpresa.
Matheus, ao entender o que ela dizia, pensou consigo mesmo que a garota era esperta, talvez com medo de perder o amparo caso Lucas morresse, já começava a agradar os tios.

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