Ainda assim, nesta vida, o professor continuava pensando nela com todo o coração.
Mas a maioria das coisas que ela sabia, foi ele quem lhe ensinou na vida passada. Como poderia ele não ser digno de ser seu mestre?
As emoções de Manuela borbulhavam em seu peito enquanto ela olhava para os cabelos grisalhos do professor. Com firmeza, balançou a cabeça:
"Professor, não pretendo escolher outro mestre. Eu já decidi: será o senhor!"
Essas palavras deixaram Gustavo ao mesmo tempo tocado e um pouco sem jeito. Ele soltou uma risada leve e suspirou:
"Está bem, está bem, falamos disso depois. Sua mestra—bem, enfim, pode chamá-la de mestra por enquanto—sua mestra ficou sabendo que você viria e correu para preparar o prato que ela faz de melhor. Venha experimentar e veja se gosta."
Manuela se virou para a mestra, e sua voz involuntariamente assumiu um tom carinhoso:
"Tenho certeza de que vou adorar. Já ouvi falar muito sobre os dotes culinários da senhora."
Na vida passada, a mestra já havia preparado muitas refeições para ela.
Sra. Quintana não conseguiu conter o sorriso. Não sabia explicar, mas desde o primeiro olhar sentiu uma afinidade muito grande por aquela garota.
"Como pode saber se gosta sem nem ter provado?" disse ela, em tom de brincadeira, puxando Manuela em direção à sala de jantar.
"E o irmãozinho, cadê? Não está em casa?" perguntou Manuela.
O filho mais novo do professor, que nesta vida finalmente não faleceu cedo.
"O Pedro está na escola. Deve estar terminando as aulas por agora, se você ficar mais um pouco logo vai vê-lo."
Ao falar do filho, Sra. Quintana não pôde deixar de sentir uma enorme gratidão por Manuela.
Antes, já tinham tentado de tudo para curar o menino, sem sucesso. Ela já estava até preparando o funeral. Ainda bem que Manuela apareceu a tempo...
Ao provar novamente a comida da mestra, Manuela ficou tão emocionada que quase chorou, mas se conteve e passou a falar com o professor sobre o pedido de sua prima para ser aceita como discípula.
Em seguida, Manuela entregou o presente para o professor: algumas ervas medicinais que ela mesma cultivara, aquelas que ele já havia mencionado em conversas que eram "mais valiosas que ouro".
O bordado e a figura de ação já seriam presentes ótimos, mas ao ver as ervas, Gustavo ficou tão emocionado que quase desmaiou!
"Essas… essas, onde você conseguiu?!"
Manuela respondeu, um pouco envergonhada:
"Eu mesma plantei, nas horas vagas."
"Você mesma plantou—?!" Gustavo estava incrédulo.
Virou-se, e cuidadosamente examinou as ervas à sua frente, percebendo que eram espécies raríssimas, difíceis de cultivar mesmo com intervenção humana, e ainda de uma qualidade muito superior àquelas quase impossíveis de se encontrar no mercado!
Gustavo estava tão emocionado que seu rosto ficou corado, quase aceitando Manuela como discípula ali mesmo.

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