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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 527

A voz dele soou baixa e com uma certeza que beirava o autoconvencimento enquanto começava a falar devagar: — Eu já testei muitas vezes.

— Não é a Beatriz.

Dona Luísa franziu as sobrancelhas: — Como tem certeza? O rosto é igual.

— O temperamento é diferente.

Arthur ergueu os olhos, olhando para a noite escura lá fora. — Se fosse Beatriz, ela não desapegaria.

— Ela me odeia. Se me visse, se visse Lili e visse a família Valente em paz, ela perderia a postura...

— A Beatriz de antes não conseguia agir de forma leve.

— Mas Serena é diferente.

— Ela só tem o mesmo rosto da Beatriz, nada mais.

Dona Luísa, depois de escutar, suavizou a expressão um pouco, mas a preocupação ainda era forte: — Tomara que sim.

— A família Valente deve muito à Beatriz. O fato de ter falecido por depressão é nossa culpa.

— Se for realmente ela vindo cobrar o que devemos, não teremos o que dizer.

— Mas, se for só uma estranha que se parece com ela, não podemos deixar que estrague a paz dos Valente.

— O fato da Lili ficar grudada com ela hoje não é bom. As crianças são mais fáceis de serem convencidas por alguém com o rosto igual.

Arthur concordou com a cabeça: — Eu sei.

— A Dona Irene já sabe disso. — Dona Luísa falou de repente.

Arthur ergueu os olhos e uma ponta de surpresa passou pelo seu olhar.

— Minha avó?

— Sim. — Dona Luísa assentiu, em tom solene. — A sua avó escutou sobre isso durante dias, já está ciente de tudo, e enviou um convite para um encontro particular com Serena.

— É bom que as contas antigas sejam resolvidas com uma idosa assumindo a liderança.

O coração de Arthur pesou.

Sua avó já era velha e tinha passado a vida inteira sendo sensata e esperta, conseguindo decifrar as pessoas de modo afiado.

Na época, a idosa testemunhou tudo o que Beatriz aguentou, todo o seu sofrimento e a sua tristeza com os Valente, e sentia culpa por isso.

Se a avó a encontrasse pessoalmente, com o conhecimento e a visão da idosa, haveria grande chance de quebrar as barreiras de disfarce e revelar a identidade verdadeira de Serena.

Mas ele não tinha como impedir.

A decisão dos mais velhos já estava tomada.

—

Dois dias passaram em um instante.

O convite da Dona Irene Valente foi entregue na sede da Seraphina Biotech.

Não tinha nada de formalidade comercial, nem um papo furado; apenas um convite simples para uma conversa particular que aconteceria num Pavilhão das Gardênias no centro da cidade.

Quando Serena recebeu o convite, estava lidando com os planos finais do novo medicamento para o país todo em sua sala.

O assistente avisou com a voz suave: — Dra. Serena, a idosa da família Valente mandou um convite, e deseja que você compareça num pequeno encontro particular para tomarem um chá.

A idosa fez um sinal com a mão, mandando ela se sentar, e o tom de voz era gentil, porém solene: — Sente-se, minha filha.

Um funcionário colocou o chá e saiu de perto. A sala ficou vazia, restando apenas as duas, quieta e tendo o barulho leve da água para fazer a bebida.

Após o silêncio durar mais uns instantes, a idosa decidiu iniciar a conversa, com o tom gentil: — Você e a minha nora, Beatriz, são idênticas.

— Quando vi você pela primeira vez, quase achei que ela havia voltado.

Serena segurou a xícara, tomando um pequeno gole e mantendo a aparência calma do início ao fim, não se abalando.

Não negou, nem tentou se justificar; apenas estava ouvindo.

A idosa reparou nela fria, inabalada, e continuou a dizer o que já aconteceu anos atrás: — Beatriz era uma boa menina.

— Ela era carinhosa e se comportava; não arranjava confusão e depois de ficar cinco anos na família Valente e passar por poucas e boas, nunca disse uma frase sequer falando mal de nós para outras pessoas.

— Ela tinha um temperamento fraco, ficava pensando demais, era apaixonada por Arthur de verdade, reprimindo as emoções e tentando agradar os outros para ajudar. Porém, o meu neto agia com tanta racionalidade que tratava os outros com frieza, tornando-se muito severo com ela.

A idosa ia desabafando sobre o passado, exalando culpa e remorso em seu tom de voz.

— Ele a deixou de lado durante os anos, não dava bola para ela e favorecia outras pessoas, deixando-a isolada naquela prisão que a família se tornou, acumulando mágoas.

— Ela acabou falecendo cedo, de depressão, e até hoje nós, os Valente, estamos endividados com ela.

Cada palavra era verdade.

Ninguém conhecia mais a injustiça de que Beatriz passava melhor que a idosa da família Valente.

A atmosfera na sala parecia calma e aconchegante, mas a dívida antiga deixava tudo sufocante.

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