Sem mais rodeios, sem usar pretextos, sem usar a criança para testar.
O olhar de Serena era límpido e frio ao encará-lo, e o tom de sua voz era constante: — Sr. Valente, eu sou Serena.
— Apenas isso.
— Talvez eu seja parecida com a sua falecida esposa. Não sei o que o senhor pretende, mas definitivamente não sou ela.
O rosto dela estava tranquilo e chocado.
E também a fazia parecer...
Desconhecida.
Arthur franziu as sobrancelhas: — Por que não admite?
— Você fingiu a própria morte, escondeu seu nome e voltou para o país em glória apenas para se livrar de mim de uma vez por todas, não foi?
Serena olhou calmamente para as emoções nos olhos dele: — Sr. Valente, eu me compadeço da sua situação, mas a sua esposa faleceu. Como parceira de negócios, a única coisa que posso oferecer é a minha simpatia.
— Se você não é Beatriz, por que sempre amolece para a Lili?
— Se você não é Beatriz, por que enxerga através de todas as maquinações da família Valente?
— Se você não é Beatriz, por que trabalhou tanto no exterior para voltar bem agora, dominando o mercado e esmagando a Lumina?
Arthur franziu as sobrancelhas e continuou: — Sobre as próximas etapas da parceria entre a Seraphina e a Lumina, retiro o que disse antes.
— Helena não será mais a única responsável.
— Eu cuidarei disso pessoalmente.
Serena ouviu isso, sorriu levemente, calma e transparente: — Não há necessidade.
— Parcerias comerciais são apenas sobre vantagens e desvantagens, não sobre gostos pessoais.
— Helena é confiável, sensata e prática. Deixar as coisas nas mãos dela traz mais eficiência.
— Para mim tanto faz.
Mais um "tanto faz".
Serena ergueu o pulso e checou a hora. — Tenho compromissos, já vou.
—
Naquele dia.
No Solar dos Valente.
Era hora da refeição.
A mesa estava cheia de pratos preparados cuidadosamente de acordo com o gosto de Lili.
Arthur havia trocado de roupa e usava trajes casuais escuros.
Ele sentou-se na cabeceira, tirando as espinhas de peixe para a menina ao seu lado devagar, com movimentos gentis e atentos.
— Papai. — Lili falou de repente.
Arthur olhou para cima. — Por que não está comendo? Não gostou?
Lili balançou a cabeça de leve, com as sobrancelhas franzidas, e perguntou séria:
— Eu posso pedir para a tia Serena ser minha mãe?
Era a segunda vez que ela mencionava aquilo.
Aquela frase fez todo o ar ficar em silêncio.
Os dedos de Arthur, segurando os pauzinhos, pararam.
Ele ficou calado por um bom tempo.
Hoje, por não ter nada para fazer, ela quis descer e ver a neta comendo, mas acabou escutando toda a conversa final entre os dois.
Dona Luísa parou na porta da sala de jantar e olhou fixo para Arthur. — Aquela mulher voltou mesmo?
A mulher que ela mencionou era conhecida por todos.
A morte de Beatriz, cinco anos atrás, ocorreu em silêncio. A família Souza abafou todas as notícias, anunciando morte por doença ao público. Foi algo impecável.
Mas com o retorno de Serena, o rosto quase igual e aquela postura fria idêntica fizeram Dona Luísa sentir medo logo à primeira vista.
Parecida demais.
Uma semelhança assustadora que deixava qualquer um tenso.
Arthur ergueu os olhos para a mãe: — Não é ela.
— Todo mundo lá fora está falando disso. Os rostos são iguais. Você tem certeza mesmo? — Dona Luísa perguntou.
— Será que a Beatriz não morreu e voltou?
— Se ela voltou de verdade, não vai mais ter paz na família Valente.
Ela não odiava Beatriz, mas sempre houve uma barreira entre elas.
Na época, ela sabia que o filho era muito frio com Beatriz, e que ela aguentou muitas coisas nos cinco anos em que esteve com os Valente, se contendo a cada passo.
Se ela realmente não estivesse morta, e tivesse voltado, seria com certeza para cobrar dívidas, virar o jogo e pegar de volta o que lhe deviam.
Esse era o maior receio de Dona Luísa.
Arthur contraiu os dedos. Ele havia observado.
Mas só havia um resultado.
Não era ela.

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