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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 526

Sem mais rodeios, sem usar pretextos, sem usar a criança para testar.

O olhar de Serena era límpido e frio ao encará-lo, e o tom de sua voz era constante: — Sr. Valente, eu sou Serena.

— Apenas isso.

— Talvez eu seja parecida com a sua falecida esposa. Não sei o que o senhor pretende, mas definitivamente não sou ela.

O rosto dela estava tranquilo e chocado.

E também a fazia parecer...

Desconhecida.

Arthur franziu as sobrancelhas: — Por que não admite?

— Você fingiu a própria morte, escondeu seu nome e voltou para o país em glória apenas para se livrar de mim de uma vez por todas, não foi?

Serena olhou calmamente para as emoções nos olhos dele: — Sr. Valente, eu me compadeço da sua situação, mas a sua esposa faleceu. Como parceira de negócios, a única coisa que posso oferecer é a minha simpatia.

— Se você não é Beatriz, por que sempre amolece para a Lili?

— Se você não é Beatriz, por que enxerga através de todas as maquinações da família Valente?

— Se você não é Beatriz, por que trabalhou tanto no exterior para voltar bem agora, dominando o mercado e esmagando a Lumina?

Arthur franziu as sobrancelhas e continuou: — Sobre as próximas etapas da parceria entre a Seraphina e a Lumina, retiro o que disse antes.

— Helena não será mais a única responsável.

— Eu cuidarei disso pessoalmente.

Serena ouviu isso, sorriu levemente, calma e transparente: — Não há necessidade.

— Parcerias comerciais são apenas sobre vantagens e desvantagens, não sobre gostos pessoais.

— Helena é confiável, sensata e prática. Deixar as coisas nas mãos dela traz mais eficiência.

— Para mim tanto faz.

Mais um "tanto faz".

Serena ergueu o pulso e checou a hora. — Tenho compromissos, já vou.

—

Naquele dia.

No Solar dos Valente.

Era hora da refeição.

A mesa estava cheia de pratos preparados cuidadosamente de acordo com o gosto de Lili.

Arthur havia trocado de roupa e usava trajes casuais escuros.

Ele sentou-se na cabeceira, tirando as espinhas de peixe para a menina ao seu lado devagar, com movimentos gentis e atentos.

— Papai. — Lili falou de repente.

Arthur olhou para cima. — Por que não está comendo? Não gostou?

Lili balançou a cabeça de leve, com as sobrancelhas franzidas, e perguntou séria:

— Eu posso pedir para a tia Serena ser minha mãe?

Era a segunda vez que ela mencionava aquilo.

Aquela frase fez todo o ar ficar em silêncio.

Os dedos de Arthur, segurando os pauzinhos, pararam.

Ele ficou calado por um bom tempo.

Hoje, por não ter nada para fazer, ela quis descer e ver a neta comendo, mas acabou escutando toda a conversa final entre os dois.

Dona Luísa parou na porta da sala de jantar e olhou fixo para Arthur. — Aquela mulher voltou mesmo?

A mulher que ela mencionou era conhecida por todos.

A morte de Beatriz, cinco anos atrás, ocorreu em silêncio. A família Souza abafou todas as notícias, anunciando morte por doença ao público. Foi algo impecável.

Mas com o retorno de Serena, o rosto quase igual e aquela postura fria idêntica fizeram Dona Luísa sentir medo logo à primeira vista.

Parecida demais.

Uma semelhança assustadora que deixava qualquer um tenso.

Arthur ergueu os olhos para a mãe: — Não é ela.

— Todo mundo lá fora está falando disso. Os rostos são iguais. Você tem certeza mesmo? — Dona Luísa perguntou.

— Será que a Beatriz não morreu e voltou?

— Se ela voltou de verdade, não vai mais ter paz na família Valente.

Ela não odiava Beatriz, mas sempre houve uma barreira entre elas.

Na época, ela sabia que o filho era muito frio com Beatriz, e que ela aguentou muitas coisas nos cinco anos em que esteve com os Valente, se contendo a cada passo.

Se ela realmente não estivesse morta, e tivesse voltado, seria com certeza para cobrar dívidas, virar o jogo e pegar de volta o que lhe deviam.

Esse era o maior receio de Dona Luísa.

Arthur contraiu os dedos. Ele havia observado.

Mas só havia um resultado.

Não era ela.

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