O olhar de Serena parou por um instante.
— É mesmo?
— Uhum. — Lili concordou com a cabeça, com as sobrancelhas levemente franzidas, tentando se lembrar.
— Eu não me lembro direito.
— Mas eu me sinto segura quando vejo você.
— Mais segura do que com qualquer outra pessoa.
A frase fez o ambiente ficar em silêncio por meio segundo.
Palavras inocentes de uma criança são as que mais tocam.
O coração de Serena amoleceu de repente.
Ela não tinha nenhum parentesco com Lili.
Mas a menina era naturalmente apegada a ela.
Serena reprimiu suas emoções e a confortou: — Então, se nos encontrarmos de novo, você pode me dar um oi.
Os olhos de Lili brilharam no mesmo instante, e ela perguntou com cuidado:
— Posso ver você sempre?
Os funcionários ao lado riram, achando a menina uma graça.
Serena respondeu com gentileza: — Pode.
O exame médico ocorreu sem problemas.
Serena leu pessoalmente os exames das duas crianças e deu orientações detalhadas sobre alimentação, rotina e cuidados com o estômago e o baço.
Ela era profissional, paciente e gentil. Até a enfermeira comentou: — A Dra. Serena é tão amável. Ela é muito atenciosa com as crianças.
O tempo todo, os olhos de Lili quase não desgrudavam dela.
A menina não fez barulho, não fez manha nem foi grudenta. Apenas a observava em silêncio.
Um olhar atento, dependente e dócil.
O exame médico terminou.
Lili reuniu muita coragem, tirou do bolso uma margarida branca seca e prensada, e a entregou com cuidado para Serena.
— Professora, é para você.
— Fui eu que peguei. Guardei por um tempão.
Era o presente mais valioso que uma criança poderia oferecer.
Serena sentiu um baque.
Ela abaixou a cabeça para olhar a pequena flor branca, com as pontas dos dedos ligeiramente quentes.
Ela nunca tinha recebido um presente que mexesse tanto com ela.
Serena disse em voz baixa: — Obrigada, Lili. Eu gostei muito.
Ela estendeu a mão e a pegou.
No instante em que seus dedos se tocaram.
Arthur, que estava na porta, finalmente se aproximou.
A figura alta se aproximou. Ele tinha uma presença contida, os olhos fixos no rosto de Serena, e a voz baixa e controlada.
— Dra. Serena.
Serena ergueu o olhar, e sua expressão voltou a ser distante.
— Sr. Valente.
Antes de ir, Lili virou a cabeça e deu uma longa olhada para Serena, relutante em partir.
Aquele olhar era apegado e puro.
Serena sentiu um aperto.
Ela olhou para as costas dos três indo embora.
O homem alto e distante caminhava segurando as crianças.
A imagem daquela família de três era perfeita, mas doía os olhos.
Saíram do hospital e entraram no carro.
O carro estava silencioso.
Arthur ficou em silêncio por um bom tempo e, de repente, perguntou a Lili:
— Lili, por que você gosta da professora Serena?
Lili, sentada no banco de trás, franziu as sobrancelhas e pensou por um bom tempo.
— Não sei.
— É que eu me sinto bem quando vejo ela.
— Ela me parece familiar.
— Como se... como se eu já devesse conhecê-la.
Arthur não disse mais nada.
-
No dia seguinte.
Helena descobriu sobre a ação social de saúde e entrou em pânico.

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