— Após dez anos, estou oficialmente de volta ao país.
A voz era clara, firme e calma. Tinha a segurança de alguém que esteve no topo da pesquisa científica de ponta por anos.
Nesse momento.
Helena, na plateia, paralisou.
O sangue sumiu e o corpo dela ficou frio.
Aquele rosto...
Era o rosto que ela conhecia até os ossos, o rosto que ela temeu a vida inteira.
Mesmo com a mudança na presença, mesmo com a postura totalmente diferente, aquelas feições...
Beatriz não estava morta?!
Ela nunca tinha morrido?!
Helena começou a tremer e a mente dela ficou em branco. Toda a sua pose e decoro se despedaçaram.
A segurança que ela construiu com tanto esforço por cinco anos desmoronou num instante.
Tudo o que ela temia finalmente chegou.
Ao mesmo tempo, na área VIP.
O corpo de Arthur ficou tenso.
Ele travou no lugar, e a respiração parou.
A luz bateu no rosto frio e distante da mulher, e aquele perfil familiar atingiu os olhos dele com força.
Era ela.
Era ela?
Mesmo com a mudança na presença, na postura e com a voz calma, sem nenhum traço da fraqueza de antes.
Mas aquele rosto...
Dava a sensação de que era ela, mas ao mesmo tempo não era.
A mulher no palco continuou falando com calma, em um tom firme e profissional. Ela apresentou as descobertas da última geração de medicamentos direcionados de forma clara e organizada.
Tinha uma lógica rigorosa, e, de frente aos líderes do setor, ela continuava calma, nem humilde demais e nem arrogante.
— Nesse retorno, serei a responsável exclusiva pela distribuição nacional da nova geração de medicamentos contra câncer de útero, por popularizar a pesquisa clínica e produzir tratamentos acessíveis, fechando lacunas médicas no país e reduzindo os custos dos pacientes...
Ela falava bem, cheia de confiança.
Aquele lado dela não parecia com Beatriz, era distante.
Tão distante que o coração de Arthur afundou. O corpo inteiro foi dominado por uma sensação confusa de amargura.
Cinco anos.
Cinco longos anos.
Ela estava viva?
E nunca voltou.
Ela viu ele ficar preso no passado, viu todo mundo se despedir e fazer luto por ela. Viu Helena assumir o controle pouco a pouco e tomar tudo o que era dela. Ela assistiu tudo de longe, sem dar nenhum sinal de vida.
Assumiu uma nova identidade e se tornou uma versão brilhante de si mesma.
Restaram apenas os dois no corredor estreito, cara a cara.
O silêncio era absoluto e sufocante.
Arthur fixou os olhos no rosto dela, analisando cada um dos detalhes familiares. A voz dele era grossa e rouca, trazendo o tremor contido de cinco anos:
— Você está viva.
Não era uma pergunta. Ele tinha certeza.
As palavras foram pesadas no silêncio do corredor.
Serena ergueu o olhar para ele de forma fria e distante. Não havia surpresa, medo ou constrangimento. Ela não demonstrou emoção.
Ela observou o homem familiar e estranho ao mesmo tempo, com a expressão calma de quem olha para um desconhecido qualquer.
Após uns segundos, ela abriu a boca e disse num tom frio, sem emoção:
— Senhor, você se enganou de pessoa.
O peito de Arthur apertou. Os olhos dele ficaram escuros. — Enganei?
Ele deu um passo, aumentando a pressão no ambiente e travando o olhar nela.
— Como eu poderia me enganar com esse rosto? Beatriz, olhe para mim, diga que não é você!
Mesmo com aquela pressão toda, Serena não cedeu.
Ela virou o corpo de leve. Mantinha uma postura polida e distante. Falou num tom cortês, marcando bem o limite entre os dois:
— Me chamo Serena, fundadora da Seraphina Biotech. Nunca ouvi o nome Beatriz Nogueira. Senhor, talvez você sinta muita falta de alguém e esteja tendo ilusões.
— Ilusões? — Arthur deu uma risada baixa, mas sem rir com os olhos, só sobrou uma frieza cortante: — Um funeral há cinco anos e todos os lutos... Todo mundo chorando a sua morte, todos achando que você foi enterrada, para agora você estar no exterior ganhando tudo o que quer?

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