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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 509

— Após dez anos, estou oficialmente de volta ao país.

A voz era clara, firme e calma. Tinha a segurança de alguém que esteve no topo da pesquisa científica de ponta por anos.

Nesse momento.

Helena, na plateia, paralisou.

O sangue sumiu e o corpo dela ficou frio.

Aquele rosto...

Era o rosto que ela conhecia até os ossos, o rosto que ela temeu a vida inteira.

Mesmo com a mudança na presença, mesmo com a postura totalmente diferente, aquelas feições...

Beatriz não estava morta?!

Ela nunca tinha morrido?!

Helena começou a tremer e a mente dela ficou em branco. Toda a sua pose e decoro se despedaçaram.

A segurança que ela construiu com tanto esforço por cinco anos desmoronou num instante.

Tudo o que ela temia finalmente chegou.

Ao mesmo tempo, na área VIP.

O corpo de Arthur ficou tenso.

Ele travou no lugar, e a respiração parou.

A luz bateu no rosto frio e distante da mulher, e aquele perfil familiar atingiu os olhos dele com força.

Era ela.

Era ela?

Mesmo com a mudança na presença, na postura e com a voz calma, sem nenhum traço da fraqueza de antes.

Mas aquele rosto...

Dava a sensação de que era ela, mas ao mesmo tempo não era.

A mulher no palco continuou falando com calma, em um tom firme e profissional. Ela apresentou as descobertas da última geração de medicamentos direcionados de forma clara e organizada.

Tinha uma lógica rigorosa, e, de frente aos líderes do setor, ela continuava calma, nem humilde demais e nem arrogante.

— Nesse retorno, serei a responsável exclusiva pela distribuição nacional da nova geração de medicamentos contra câncer de útero, por popularizar a pesquisa clínica e produzir tratamentos acessíveis, fechando lacunas médicas no país e reduzindo os custos dos pacientes...

Ela falava bem, cheia de confiança.

Aquele lado dela não parecia com Beatriz, era distante.

Tão distante que o coração de Arthur afundou. O corpo inteiro foi dominado por uma sensação confusa de amargura.

Cinco anos.

Cinco longos anos.

Ela estava viva?

E nunca voltou.

Ela viu ele ficar preso no passado, viu todo mundo se despedir e fazer luto por ela. Viu Helena assumir o controle pouco a pouco e tomar tudo o que era dela. Ela assistiu tudo de longe, sem dar nenhum sinal de vida.

Assumiu uma nova identidade e se tornou uma versão brilhante de si mesma.

Restaram apenas os dois no corredor estreito, cara a cara.

O silêncio era absoluto e sufocante.

Arthur fixou os olhos no rosto dela, analisando cada um dos detalhes familiares. A voz dele era grossa e rouca, trazendo o tremor contido de cinco anos:

— Você está viva.

Não era uma pergunta. Ele tinha certeza.

As palavras foram pesadas no silêncio do corredor.

Serena ergueu o olhar para ele de forma fria e distante. Não havia surpresa, medo ou constrangimento. Ela não demonstrou emoção.

Ela observou o homem familiar e estranho ao mesmo tempo, com a expressão calma de quem olha para um desconhecido qualquer.

Após uns segundos, ela abriu a boca e disse num tom frio, sem emoção:

— Senhor, você se enganou de pessoa.

O peito de Arthur apertou. Os olhos dele ficaram escuros. — Enganei?

Ele deu um passo, aumentando a pressão no ambiente e travando o olhar nela.

— Como eu poderia me enganar com esse rosto? Beatriz, olhe para mim, diga que não é você!

Mesmo com aquela pressão toda, Serena não cedeu.

Ela virou o corpo de leve. Mantinha uma postura polida e distante. Falou num tom cortês, marcando bem o limite entre os dois:

— Me chamo Serena, fundadora da Seraphina Biotech. Nunca ouvi o nome Beatriz Nogueira. Senhor, talvez você sinta muita falta de alguém e esteja tendo ilusões.

— Ilusões? — Arthur deu uma risada baixa, mas sem rir com os olhos, só sobrou uma frieza cortante: — Um funeral há cinco anos e todos os lutos... Todo mundo chorando a sua morte, todos achando que você foi enterrada, para agora você estar no exterior ganhando tudo o que quer?

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