À tarde.
As duas crianças estavam deitadas no tapete brincando. Lili acompanhava o irmão com paciência enquanto ele montava os legos. A figura pequena era gentil e quieta. O menino falava sem parar e ria alto.
Do lado de fora dos portões do Solar, o carro de Helena estava parado há muito tempo.
Ela havia agendado com antecedência e insistido bastante para conseguir apenas meia hora de visita.
Ela saiu do carro, entrou no quintal e olhou para o ambiente acolhedor lá dentro. Ao ver o próprio filho de quatro anos confortável e bem cuidado, seus olhos se encheram de tristeza.
Já faziam cinco anos.
Ela tinha tido um filho, mas nunca teve nenhum título. Até para ver o próprio sangue precisava pedir permissão e aceitar limites.
Helena entrou na sala e disse de forma suave: — Arthur.
Arthur estava em pé perto da janela. Ele tinha uma postura ereta e relaxada, sem a agressividade da política, substituída por uma calma trazida pelo tempo. Ele virou a cabeça ao ouvir a voz.
— Você chegou.
O tom era educado, mas cheio de distanciamento, sem nenhum traço de calor.
Helena reprimiu a mágoa e olhou para o garoto animado. Ela disse: — Eu estava de passagem hoje e quis vir ver ele. Ele tem sido travesso ultimamente? Tem comido direito?
Arthur respondeu em um tom reto: — A babá cuida muito bem dele. Ele tem horários regulares e come direitinho. Você não precisa se preocupar.
Uma frase simples cortou todas as conexões.
Como se o filho que ela carregou na barriga por nove meses não tivesse nada a ver com ela.
Helena apertou os dedos e não resistiu: — Eu sou a mãe dele, eu quero vê-lo mais vezes. Não é preocupação, é meu dever.
— Nestes cinco anos, posso contar nos dedos as vezes que o vi. Toda vez que quero vir ao Solar, você não permite. Arthur, eu não entendo, o que eu fiz de errado?
Lili, que estava abaixada no tapete, ouviu a voz e olhou para ela. Ela segurou o irmão que queria correr, ficou parada quieta e não interrompeu nem fez barulho.
O menino de quatro anos, confuso, olhou para Helena e perguntou baixinho: — Lili, quem é ela?
Lili falou baixinho para ele: — É uma tia que veio te visitar. Vamos continuar brincando?
O irmão assentiu meio sem entender e voltou a sentar comportado.
Seu próprio filho não a reconhecia.
O nariz de Helena ardeu. Ela olhou para Arthur com a voz carregada de frustração: — O menino já tem quatro anos e nem sabe quem eu sou.
— Todas as outras crianças crescem com a mãe por perto. E eu nem tenho o direito de visitar o meu filho. Arthur, não acha que está sendo muito severo?
Arthur manteve a expressão e o tom de voz calmo e indiferente: — O Solar é o lugar onde ele vai crescer, é tranquilo e seguro. Não é apropriado para visitas frequentes de estranhos.
Helena engasgou: — Mas eu sou a mãe dele...
— O fato de você ter dado à luz já é o suficiente.
Arthur engrossou a voz: — No restante, eu cuido para que ele cresça bem, você não precisa vir atrapalhar.
Lili, que estava ouvindo tudo em silêncio, falou de forma doce e compreensiva: — Papai, a tia só quer ver ele, não vai nos atrapalhar.
Arthur olhou para a garotinha obediente e a voz dele ficou suave de repente, bem diferente de como tratava Helena: — Lili, leve ele lá para a sala de brinquedos no andar de cima.
— Tá bom.
Lili assentiu com a cabeça, pegou a mãozinha do irmão e falou gentilmente: — Vem, Théo. Vou te mostrar um brinquedo novo.
— Oba! — O menino deu pulinhos e seguiu Lili escada acima.
A sala de estar ficou em silêncio imediato, isolando totalmente o som das crianças.
O cômodo espaçoso era cheio de brinquedos, mas não escondia a tensão fria entre os dois.
Helena olhou para o tapete vazio e ficou com os olhos vermelhos: — Você nem me deixa olhar mais um pouco para ele.
— Arthur Valente, do que você tem tanto medo?

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