Essa questão rondava a mente de todos há muito tempo.
Ele sabia que Beatriz Nogueira forjou a própria morte, sabia que ela foi renascer no exterior, mas não sabia se um dia ela voltaria à sua terra natal.
Assim que voltasse, a verdade sobre sua falsa morte seria exposta.
Se não voltasse, a autoria de anos de pesquisa nunca poderia ser publicada com seu nome verdadeiro.
Era uma decisão difícil.
Beatriz olhou para o laboratório familiar na tela e para a direção de sua terra a milhares de quilômetros de distância. Ela moveu os cantos dos lábios, com uma expressão neutra e serena.
— Se eu voltar, será com glória.
— E a autoria... — Gabriel hesitou. — Seu esforço não pode ficar sem nome.
Beatriz esfregou a ponta dos dedos na capa do documento sobre a mesa e disse em voz baixa: — Serena vai voltar.
Gabriel entendeu imediatamente.
Serena.
A gênia da indústria.
Esse era o pseudônimo dela.
E se tornaria seu novo nome.
Com esse pseudônimo, ninguém na indústria poderia se comparar a ela.
— Usarei a identidade de Serena para concluir todo o trabalho restante.
Beatriz falou com a voz firme e calma: — Todos os artigos, patentes e a autoria do lançamento do medicamento usarão o nome Serena. A partir de agora, não existe mais Beatriz Nogueira no mundo, apenas Serena.
Beatriz morreu naquele funeral.
Morreu na percepção de todos, nos casos de amor e ódio do passado, e naqueles anos de submissão, repressão e impotência.
De agora em diante, ela era Serena.
A Serena sem amarras, com sucesso acadêmico, independência profissional e que vivia apenas para si mesma.
Gabriel olhou para o alívio nos olhos dela. Ele sentiu um misto de emoções, mas por fim, assentiu devagar.
— Certo, eu entendo. Vou alinhar todos os processos, mudar todas as autorias e guardar esse segredo por você.
— Desculpe o incômodo. — Beatriz agradeceu em voz baixa.
— Não é incômodo, você merece. — Gabriel olhou para ela e disse sério: — Beatriz... não, Serena, você merece uma vida nova e melhor.
A chamada de vídeo terminou.
Ela olhou para a própria barriga plana e sentiu um leve arrependimento.
Nunca mais poderia gerar filhos.
Era uma perda eterna.
Mas logo se acalmou.
A vida não era perfeita.
Ela perdeu o direito de ser mãe, mas ganhou a liberdade de renascer.
Ela abriu os horários das aulas do doutorado e organizou o plano de pesquisa do medicamento direcionado.
As paredes tinham papel de parede de desenho animado, um carpete macio cobria o chão e havia blocos coloridos, livros de história, bichos de pelúcia e carrinhos de controle remoto por toda parte.
Os brinquedos de princesa e os jogos educativos dos meninos estavam espalhados. O quarto era cheio de vida e diversão infantil, não tinha mais nada do frio do passado.
A casa criava duas crianças.
Lili, que foi trazida do exterior, agora chamada de Alice Valente, tinha sete anos.
A menina tinha feições suaves, era quieta e sensata, muito mais inteligente e madura que as crianças da mesma idade.
Era educada, estudiosa, gentil e paciente. Todos a elogiavam.
O menino que Helena Nogueira deu à luz.
Agora com quatro anos, era ativo, sapeca e cheio de energia.
As duas crianças passavam os dias juntas, crescendo lado a lado e tinham uma ótima relação.
O menino de quatro anos era muito apegado à irmã de sete.
Seguia Lili por todo lado, e só ela conseguia acalmá-lo quando ele fazia bagunça.
Os dois brincavam no tapete com blocos, liam livros e se divertiam, formando uma cena harmoniosa.
Mas na vida tranquila e agitada dos Valente, Helena sempre foi uma estranha.
Durante os cinco anos, ela teve o bebê, mas nunca pisou na casa dos Valente nem ficou lá.
A postura de Arthur sempre foi fria e distante. Ele nunca permitiu que ela ficasse na casa por muito tempo, e muito menos que visitasse o filho quando quisesse.
Mesmo para ver o próprio filho, ela era barrada. Ver o garoto era quase impossível.

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