Beatriz virou a cabeça e olhou para fora da janela, com preguiça até de olhar para ele, recusando logo: — Não vou comer.
Dias de embate e pressão a fizeram não querer ter ligação com ele.
Arthur também não forçou e sentou de lado em silêncio por um tempo.
O quarto só tinha os bipes do monitor, deixando o clima muito sufocante.
Beatriz quebrou o silêncio primeiro, soltando o único pedido no seu coração mais uma vez: — Não há motivo em continuarmos gastando tempo.
— Entregue a Petição Inicial de Divórcio rápido, passe pelos processos e se divorcie de mim.
— Você não tem direito de me pedir o divórcio.
Arthur recusou na mesma hora: — O que acontecer com o processo e quando ele acabar quem decide sou eu.
— Não fale sobre isso de novo enquanto eu não concordar.
O peito de Beatriz ficou pesado.
Ela não entendia: o amor não existia entre eles há muito tempo.
Por que os dois ainda tinham que se prender tanto.
— Não temos sentimentos há muito tempo.
Ela falou baixo, o tom de voz tendo muito cansaço: — Nos torturarmos tem graça?
Arthur ergueu os olhos: — Você quer ir, eu concordo.
Beatriz ergueu os olhos na mesma hora e olhou para ele.
— Tenha um filho.
— Quando você tiver um herdeiro dos Valente, deixo você ir. Eu cooperarei com o divórcio.
No instante em que ouviu isso, Beatriz congelou e o sangue pareceu parar no mesmo segundo.
Ela conhecia a sua própria condição melhor que ninguém. Com uma doença grave, recebendo tratamento longo, o médico já tinha avisado há muito que ela nunca mais poderia ter filhos nessa vida.
Era a cicatriz escondida nela e um desejo que não aconteceria nunca.
Após o grande golpe, ela forçou a mente a ficar calma.
— Helena já carrega a sua criança. Por que está forçando as coisas para mim?
— Eu disse que o filho é meu?
Arthur perguntou, a voz tendo um tom de escárnio gelado.
Uma frase curta fez o coração de Beatriz cair pesado.
Ela achava que o filho de Helena era o núcleo do conflito, mas parecia que as coisas eram mais confusas do que ela imaginava.
Arthur, desde o começo até o fim, não aceitou aquela criança.
Beatriz deixou os pensamentos de lado: — Não importa o que aconteça, não vou ter um filho seu.
— Isso não acontecerá nunca.
— Isso não é para você decidir. — Arthur riu com frieza: — Se você não quer ter filho comigo, com quem quer ter? Gabriel Santos? Ou Guilherme Drummond?
Ao acabar de falar, ele não ficou, e sim levantou, virou e saiu do quarto.
O peito de Beatriz ficou pesado.
Isso chegou aos ouvidos de Helena logo a seguir.
Helena vigiava as coisas dentro da família Valente.
Ela soube que Arthur deu um cartão para Beatriz cuidar da casa, e viu Hugo puxando dinheiro fácil da mão de Beatriz.
Os alertas dispararam no mesmo segundo na sua mente, o perigo cobrindo os céus e caindo.
Para ela, dinheiro e os direitos de governar a casa eram a prova do poder.
Arthur passava os direitos para Beatriz, e o peso dela entre os Valente voltava a subir aos poucos.
Ela ficava no topo por causa da criança, mas as coisas viraram e seu poder ficou em perigo.
—
O problema não estava só aí. A condição da Lumina Inovação também caiu.
Antes, os Valente arrumavam as coisas para ela rodar, mas as dívidas da companhia eram um buraco grande que não podia ser resolvido por fora.
Os Valente só ajudaram pelo rosto, não mandando o dinheiro todo.
Logo as contas bateram e fecharam as portas.
Os papéis do tribunal chegaram na mesa com cobrança, dívida e contrato quebrado.
As contas da empresa foram paradas, os fundos foram olhados e o prédio iria fechar com o tribunal.
Olhando a empresa caindo enquanto a Seraphina Biotech subia aos poucos na mão de Beatriz, os ciúmes tiraram a razão de Helena.
Antes ela segurava o rosto, atrapalhava os negócios, derrubava, jogava piadas e atacava Beatriz com o jeito leve.

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