— Os papéis do nosso casamento não foram desfeitos. Na lei, você ainda é minha esposa.
— Em vez de continuar causando problemas, é melhor viver a vida. Se você viver quieta daqui pra frente, não toco nas brigas do passado.
Essa era a declaração dele. Para ele, já era a maior concessão.
Para ele, manter esse casamento era a escolha mais segura no momento.
Beatriz encostou na cabeceira, o corpo fraco não dando força nem para levantar a mão.
Ao ouvir isso, não houve reação em seu rosto, e seus olhos só tinham frieza.
Ela olhou para o homem e abriu a boca devagar: — Viver a vida?
— Eu não consigo fazer isso.
— Helena sempre esteve ao seu lado, grávida do seu filho, e aparecendo bem na frente de todo mundo de modo aberto.
— Não posso aceitar um casamento onde um intruso se mete. Isso não mudará desde o começo.
Helena já se intrometeu no casamento dos dois, tomando o lugar que era dela. Era uma linha de fundo que não podia ser cruzada.
— Helena não é um intruso.
Arthur negou logo: — A situação dela é diferente do que você pensa. Não é como você viu.
Ouvindo aquela desculpa, Beatriz não pôde deixar de rir baixo.
O riso foi leve, mas cheio de zombaria.
Ela estava com uma doença grave no momento, tinha acabado de acordar do coma induzido, e há poucos dias quase usou uma morte falsa para sair daquele círculo que a sufocava.
As coisas chegaram àquele ponto, e o homem na frente dela ainda protegia Helena.
— As coisas estão desse jeito, e você ainda fala por ela.
— Arthur Valente, você está se enganando, não precisa me arrastar junto.
Arthur franziu a testa ao olhar para a expressão calma e de zombaria dela.
Ele não queria continuar focando na identidade de Helena, nem discutir com ela de boca em boca.
Ele sabia o ponto fraco de Beatriz.
— Se você insiste em não ficar quieta, não me culpe por usar meios para prender você.
Ele inclinou o corpo um pouco para a frente, a pressão caindo de cima: — Você tem os Souzas atrás de você e a Seraphina Biotech, que construiu com muito trabalho.
— Todos os Souzas vivem em paz, e a Seraphina Biotech está numa fase importante. Projetos, parceiros e contatos não aguentariam problemas.
— Se você insistir em agir do seu próprio jeito, fugindo e me contrariando, não ligo de intervir.
Aquelas palavras foram diretas e duras, apertando de perto o ponto de vida de Beatriz.
Os Souzas eram sua família, e a Seraphina Biotech era a carreira na qual ela colocou todo o seu esforço, e a base de parceiros sem fim.
Ela não se importava com sua própria situação, mas não podia arrastar todos a sua volta.
— Ficar ao meu lado é a escolha mais segura.
Arthur continuou: — Você não escapará de problemas e armações em qualquer lugar que for.
— Ficar com os Valente, ao meu lado. Pelo menos ninguém vai ousar mexer com você. Isso é para o seu próprio bem.
Ele não falou mais nada, levantou e saiu do quarto.
O quarto ficou quieto de novo.
Beatriz ficou encostada na cabeceira, olhando para o teto.
Seu coração estava cheio de surpresa.
Ela pensava que criar uma morte falsa, se realmente passasse por todo mundo, faria com que Arthur talvez aceitasse a morte dela aos poucos e largasse a perseguição.
Mas ela não imaginava que ele ligaria para a Equipe Médica Particular Valente antes mesmo de ela ser enviada para a emergência, mantendo a guarda alta o tempo todo e revelando o disfarce de primeira.
Isso passou do que ela previa.
Com o plano falhando, ela voltou a cair no controle dele.
—
Nos três dias que seguiram, Beatriz ficou no hospital para descansar.
Arthur ia visitar no mesmo horário todo dia.
No meio do segundo dia, ele entrou no quarto segurando uma lancheira bem feita e a botou na mesa de cabeceira.
Dentro havia sopa nutritiva bem feita e comida mole, tudo para ajudar o corpo a ficar bom.
— Seu corpo está muito fraco, você está magra demais.
A voz dele não mudava. Não parecia ter preocupação, sendo só uma fala simples: — Coma isso e recupere as forças.

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