Essa pergunta bloqueou Nicolas, impedindo que continuasse com a fofoca. Ele rapidamente se deu conta.
Arthur sempre fora indiferente à vida pessoal da Beatriz. Não adiantaria dizer mais.
— Mudando de assunto.
Nicolas colocou os arquivos que carregava na mesa. — Este é o documento da recente parceria de novos materiais estabelecida entre a Lumina Inovação e as empresas concorrentes da Seraphina.
— A concorrência nas matérias-primas biomédicas e em novos suprimentos médicos está feroz agora. O setor de equipamentos avançados do nosso grupo poderia entrar de vez nessa área.
— Essa estratégia de desenvolvimento foi feita pela Helena, com base em literaturas internacionais recentes. Eu já li, a lógica é muito avançada; quase não há concorrentes diretos no setor.
— Assim que o projeto entrar em produção, a receita do Grupo Valente vai subir a outro patamar.
Helena abriu um leve sorriso. Como o design havia sido feito totalmente por ela, ela falou de forma natural ao escutar aquilo.
— Assim que eu voltei ao país comecei a focar nisso. Metade do sistema central já está feito.
— Agora estamos no teste interno. A previsão é que em dois meses teremos o primeiro protótipo. Vou tentar reduzir o prazo para lançar antes.
— Se o projeto entrar em produção, passaremos facilmente a tecnologia da Seraphina Biotech.
Ela estava confiante sobre o que tinha desenvolvido. Não existia nenhum produto do tipo em sua área no país.
Arthur abaixou a cabeça para folhear os vários planos do projeto, então olhou para a Helena: — É uma ótima ideia.
Nicolas aproveitou para comentar: — Eu fiquei chocado quando terminei de ver.
— Se você não se opõe, podemos iniciar as preparações de atração de investimentos. Usar a Gala do Centenário Valente para convidar o pessoal para conversar e fechar seria excelente.
— Os grandes eventos do mundo dos negócios sempre foram ótimas chances de expandir as parcerias.
— Sim. — Arthur manteve a expressão calma. — Se vocês estão confiantes, podem ir em frente.
Ele não interferiria nisso.
O coração apreensivo da Helena se acalmou.
Quando Arthur liberava o controle, significava que ele confiava nela, sem ser como outros investidores que restringiam tudo com controle excessivo.
Arthur abaixou a cabeça, sem dizer mais nada.
Helena sentiu-se orgulhosa. Todo o projeto de pesquisa, desde a ideia até a execução, fora resolvido por ela. Seria difícil para os outros copiarem.
Ela olhou para Arthur e sugeriu suavemente: — Arthur, seu trabalho não está bom no momento? Que tal deixar essa profissão de lado?
— A minha equipe precisa de um líder. Eu queria pedir para você me ajudar com esse projeto.
Arthur ergueu os olhos com um leve sorriso e uma aura calma e reservada: — Quer que eu vá ajudar você?
Nicolas ouviu isso e parou, surpreso.
Arthur atualmente estava em um cargo de destaque, com diversos recursos em mãos. O porte atual da Helena estava longe de exigir que ele se rebaixasse para trabalhar com ela.
Nicolas sorriu e brincou: — Você não pode falar essas coisas. Como o Subsecretário Valente poderia trabalhar para você?
Após muito pensar, ela decidiu adotar o plano de tratamento estrangeiro do Dr. Silveira.
Os dois arranjaram os detalhes na sala de espera. O Dr. Silveira já havia analisado todos os exames dos últimos anos e o tipo da lesão da tia dela.
— O resto do tratamento ficará totalmente em suas mãos.
O Dr. Silveira assentiu: — Agradeço a confiança.
— Eu ficarei atento à questão da doação de órgãos. Não se preocupe muito. Neste momento a medicação tem paralisado o avanço do tumor.
Beatriz verificou os últimos testes da tia na cama. Apesar de as taxas não terem tido grande melhora, a cor e a energia dela estavam muito melhores.
Os dois foram lado a lado pelo corredor enquanto falavam sobre o que viria no tratamento.
— Aquela não é a Beatriz?
— Está perto do médico, agindo tão perto. Lá fora os rumores correm e em locais públicos do hospital ela ainda não tem decência.
Dona Luísa Valente, em pé ao lado do pilar não muito longe com um rosto feio, virou para o Arthur: — Já se divorciaram, e ela continua com isso? Você a deixa arruinar a reputação assim? Não vou aguentar isso.
Arthur estava parado em silêncio. Ele ficou vendo os dois de costas indo embora e seu olhar permaneceu sombrio, sem dizer nada.
Dona Luísa Valente não aguentava. Achava a Beatriz irresponsável e de mau comportamento.
— Beatriz! — Dona Luísa elevou o tom de voz para pará-la.

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