Helena estava sentada em frente ao computador filtrando opções de farmacêuticas parceiras, mas sua expressão não demonstrava pressa alguma, cheia de certeza.
Arthur tinha acabado de prometer ajuda pessoalmente. Com o seu jeito de agir, ele nunca voltava atrás na palavra com facilidade. O problema financeiro da empresa seria resolvido em breve.
Justo quando ela imaginava o desenvolvimento futuro, o assistente repassou uma ligação de Renato.
— Aconteceu alguma coisa? — Helena ergueu uma sobrancelha.
O tom de Lucas soou calmo: — O Sr. Valente instruiu que, se os projetos atuais estiverem com falta de fundos, podem ser deixados de lado e suspensos temporariamente.
O rosto de Helena escureceu de repente, seu coração despencou e ela entrou em pânico no mesmo instante.
No passado, toda vez que ela pedia ajuda, Arthur concordava com tudo sem exceção. E logo agora, num momento crucial, ele muda de ideia e manda suspender o projeto?
— Passe o telefone para ele, vou falar com ele pessoalmente.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Lucas ergueu os olhos para Arthur, que estava sentado ao seu lado. O homem assentiu levemente, e o celular foi logo entregue em sua mão.
— Arthur? — A voz de Helena carregava inquietação. — Aconteceu algum imprevisto no meio do caminho?
Arthur recostou-se levemente na cadeira de couro do escritório, com um tom calmo e distante: — Quanto de dinheiro você precisa no total para cobrir o buraco?
— No momento, não falta só dinheiro para a pesquisa, falta também um parceiro para a execução. Sem canais de parceria, o projeto não vai gerar lucro, não importa o quanto fique na gaveta.
Helena se apressou em explicar.
— O setor está num momento favorável de políticas agora. Não precisa focar no retorno financeiro a curto prazo.
Helena ficou confusa. A paralisação do projeto só faria com que a Seraphina e outros concorrentes tomassem a dianteira. A rotatividade de talentos na indústria farmacêutica era muito rápida. Um passo atrás significava perder o controle de tudo. Especialmente a Seraphina, que tinha a patente original da pesquisa, sendo a sua maior concorrente.
Ela cerrou os dentes e disse o valor: — Preciso de pelo menos quinhentos milhões. Com esse dinheiro, posso reviver todos os projetos e levar a empresa a gerar uma renda estável.
Em particular, ela sabia que havia assinado um Acordo de Risco com a Seraphina e com Beatriz. Se o projeto parasse em grande escala e houvesse quebra de contrato, a Lumina Inovação inteira seria tomada pela outra parte.
Mesmo que Arthur tivesse dinheiro de sobra para segurar as pontas para ela, se a empresa mudasse de dono, seria o mesmo que perder diretamente para Beatriz, e ela nunca poderia aceitar isso.
Aos olhos dela, os parceiros que falharam antes deveriam ter arrastado e afetado gravemente a Seraphina, mas por obra do destino, tudo caiu nas suas costas. Ela culpou a falta de sorte, acreditando que se superasse a dificuldade atual, tudo daria certo dali em diante.
— Não tenho dinheiro vivo o suficiente na minha conta pessoal. Vá até o departamento financeiro do Grupo Valente e faça o processo de transferência corporativa em nome de parceria de projeto.
Arthur abaixou a cabeça para folhear os contratos do projeto em suas mãos, dando a ordem de forma neutra.
O peso que estava em seu peito desapareceu e Helena suspirou aliviada: — Muito obrigada.
— Não precisa de formalidades.
Helena pensou consigo mesma que o vínculo entre os dois já havia ultrapassado o de amigos comuns há muito tempo. Arthur a apoiava com tudo, fazendo o possível para ajudá-la a se estabilizar. Ele nunca dificultaria as coisas de propósito.
Mas...
Depois do favoritismo da avó da última vez, ela sentiu que essa relação havia mudado um pouco.
Mas agora não era a hora certa para cortar laços de vez.
Os dedos de Beatriz ainda estavam em um conjunto de dados de testes clínicos, e ela respondeu com voz suave: — Está tudo bem. Ainda consigo dar conta, não estou cansada.
— Fico mais tranquila.
O tom da avó era animado: — A festa de cem anos da família Valente está chegando. Vão ser as mesmas pessoas conhecidas. Nos anos anteriores, era sempre você quem planejava e coordenava todo o evento. Este ano, vou deixar nas suas mãos como de costume.
Ao ouvir isso, Beatriz ficou um pouco surpresa.
De fato, todos os banquetes de aniversário durante o casamento foram preparados por ela com muito esforço. Mas as coisas mudaram. Ela já havia se divorciado de Arthur e saído da família Valente. Realmente não queria mais se meter nos assuntos internos deles.
Ela apertou de leve os lábios e recusou com educação: — Avó, todos os anos eu faço o planejamento, não tem como não ficar repetitivo. Este ano seria melhor contratar uma equipe de planejamento profissional de fora, para ter ideias novas.
A avó não concordou com suas palavras: — De todos os banquetes, foram os seus planos os mais completos e brilhantes. Não precisa ter falsa modéstia. Ou será que você tem outras preocupações em mente?
A idosa era perspicaz e já havia notado que as rachaduras no relacionamento dela com Arthur estavam cada vez mais evidentes. Especialmente depois que Helena passou a se aproveitar da gravidez para se aproximar de Arthur e tomar os recursos.
Beatriz tinha o costume de ficar calada e aguentar as coisas. Mesmo injustiçada, ela não dizia meia palavra. Com isso, uma distância começou a crescer aos poucos entre neta e avó.

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