Helena engasgou, e as queixas que estavam na ponta da língua ficaram presas na garganta: — Não é isso, só não suporto o jeito que ela menospreza todo mundo.
Arthur levantou os olhos, arrumando os punhos da camisa sem pressa: — Cada um tem sua própria espinha dorsal. Tentar forçar uma convivência só causa constrangimento.
A organização ouviu sem entender nada. Helena especulou que ele a aconselhava a não forçar a aprovação de Beatriz. Com seu status atual, ela não precisava tentar agradar.
Dona Regina aproveitou para apaziguar: — Esqueça, não vale a pena se irritar com quem é ingrato.
Beatriz era mesquinha, não havia motivo para se importar tanto.
Beatriz entrou no local com Valentina. No meio da multidão, um menino olhava para todos os lados e, na pressa, esbarrou direto em Beatriz.
— Desculpe, moça. — A criança curvou-se imediatamente para se desculpar, comportada e educada.
Beatriz perguntou com a voz suave: — Está procurando sua família?
O menino assentiu: — Não consigo achar meu pai. Posso pegar seu celular emprestado para ligar para ele?
Valentina, segurando a mão da irmã, observou curiosa o menino de traços bonitos.
Beatriz não hesitou. Desbloqueou o celular e o entregou.
Ao terminar a ligação, o menino devolveu o aparelho: — Obrigado, moça, encontrei meu pai. Vou voltar para o meu lugar.
— Como você se chama? — Valentina perguntou de repente.
O menino virou-se: — Podem me chamar de Luan.
Em seguida, voltou correndo para a sua cadeira.
Beatriz olhou para a irmã: — Você o conhece?
— Vi uma entrevista de divulgação científica antes. Ele é um prodígio famoso da matemática. — Valentina disse baixinho, olhando para as costas dele. — Com ele na competição, minhas chances de ganhar diminuem bastante.
Beatriz bagunçou o topo do cabelo dela: — A classificação não importa. Aproveitar o processo da competição é o suficiente.
Valentina apertou os lábios, levando a sério: — Não dá. Você sempre é a melhor na pesquisa científica, eu também quero ficar em primeiro. Especialmente porque o Hugo também está competindo, não quero ficar para trás.
Beatriz riu, sem jeito: — Tão nova e já tão competitiva.
A competição começou oficialmente. A primeira rodada seria uma prova escrita e a segunda, experimentos práticos de exatas.
Na organização dos assentos da prova, Valentina e Hugo sentaram-se em fileiras adjacentes, enquanto o prodígio JP ficou na primeira fileira.
Dona Regina e Helena sentaram-se na área VIP, acenando e torcendo sem parar para Hugo lá embaixo.
O garoto ergueu os olhos para a arquibancada, cheio de confiança: — Podem relaxar, o primeiro lugar está garantido.
Arthur estava sentado ao lado, com um leve sorriso nos lábios.
Valentina ergueu os olhos instintivamente e cruzou com o olhar de Arthur. Ele retribuiu o olhar, e o sorriso não mudou.
A plateia inteira começou a cochichar.
Valentina franziu a testa e se levantou, de consciência limpa: — Eu não trapaceei.
Hugo estava sentado de braços cruzados e falou com firmeza: — Eu vi com meus próprios olhos. Ela ficava olhando direto para o meu cartão de respostas, queria copiar.
A organização refletiu por um momento: — De acordo com as regras, o vídeo será reproduzido aqui e os juízes tomarão uma decisão em conjunto.
O vídeo de Dona Regina foi projetado no telão. Na imagem, Valentina realmente olhava na direção de Hugo.
Mas a câmera não permitia confirmar se ela olhava para a prova ou para outro lugar.
Valentina apertou as mãos, sentindo-se injustiçada. Ela só tinha olhado para o relógio na parede ao lado, sequer prestou atenção na folha de respostas de Hugo.
Sentado na primeira fileira, JP levantou-se de repente para defendê-la: — Eu acredito que ela não iria trapacear.
Dona Regina viu uma criança se intrometendo e zombou: — Vocês nem se conhecem, como você pode garantir isso? Os juízes ainda não decidiram, não se intrometa, criança.
Luan franziu a testa, sem suportar a inversão dos fatos: — Então espere o resultado dos juízes. Se a Valentina não copiou, a senhora vai ter que pedir desculpas para ela na frente de todo mundo.
Dona Regina, crente de que tinha provas irrefutáveis, ergueu o queixo de braços cruzados: — Uma criancinha querendo me dar ordens? Por que eu faria o que você está mandando?
— Já que teve a coragem de denunciar publicamente, tem que assumir as consequências se for uma falsa acusação.
A voz de Luan era clara: — Acha que pode simplesmente acusar os outros e não se responsabilizar se estiver errada?

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