Alguém ao lado aconselhou Helena: — Srta. Nogueira, já que chegou a esse ponto, se não quiser que sua mãe seja presa, é melhor tentar negociar com a Beatriz. Seja pagando ou cedendo, sempre dá para achar uma saída.
Os seguranças do local se aproximaram para manter a ordem e dispersaram os curiosos.
Com a multidão dispersa, Helena encarou Beatriz fixamente e, com um tom cheio de raiva, disse: — Você fez de propósito, não foi?
Beatriz abriu as mãos, respondendo de forma indiferente: — Onde eu fiz de propósito? Foram vocês que me encurralaram e procuraram sarna para se coçar.
Helena conteve a raiva, forçando seu último resquício de arrogância: — Diga o seu preço. Desde que você cancele a punição e não deixe minha mãe ser presa, a gente negocia qualquer coisa.
— Somos do mesmo setor, vamos nos ver o tempo todo. Você não precisa ir até as últimas consequências.
Na visão dela, Beatriz só se importava com os lucros. Se a oferta fosse alta o bastante, ela com certeza cederia.
Beatriz deu uma risada fria, com o olhar impassível: — Não imponha a mim o seu jeito de pensar.
— Já que ela teve a coragem de arrumar confusão, deve arcar com as consequências.
— Foi só uma briguinha boba entre pessoas mais velhas, precisa chegar a ponto de detenção? Você está exagerando. — Nicolas interveio a favor de Helena.
O olhar de Beatriz enrijeceu, e ela retrucou: — Pela sua lógica, quem apanha deve engolir o choro? Se eu te desse um tapa, você ia aceitar de boa?
Nicolas ficou sem palavras e fechou a cara.
Beatriz voltou a olhar para Helena: — Se você continuar com essa atitude, então é só esperar a detenção da sua mãe.
Helena estava irritada e ansiosa. Ficar detida por cinco dias seria uma mancha no currículo; sua mãe jamais aguentaria essa humilhação.
Ela perguntou, trincando os dentes: — O que você quer, afinal? Ela não é a mãe que te criou por décadas?
Beatriz deu um risinho desdenhoso: — Eu não tenho esse tipo de mãe.
— O que eu quero é bem simples — disse Beatriz. — Transfira a sua amiga de hospital agora mesmo. De hoje em diante, não quero ver vocês na mesma ala ou perto do quarto da minha tia.
Ela apertou as mãos com força, avaliou a situação e, no fim das contas, só lhe restou ceder.
Helena respirou fundo, reprimindo a raiva à força: — Tudo bem. Eu aceito suas condições. Escreva o Termo de Acordo e Perdão agora.
Beatriz ergueu o canto da boca e olhou para ela com indiferença, num sorriso sem o menor pingo de empatia: — E quando foi que eu disse que ia assinar o Termo de Acordo e Perdão?
A expressão de Helena pesou na mesma hora, e seu tom ficou mais áspero: — Como assim?
Ela só sentiu que estava sendo feita de trouxa, e a irritação subiu à cabeça.
— Aceitar o acordo significa que a sua mãe vai me pedir desculpas pessoalmente e pagar a compensação nos valores adequados. Não significa que eu vou perdoá-la.
Beatriz falou devagar, deixando tudo bem claro.
As mãos de Helena tremiam de raiva.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão