Alguém agarrou o pulso de Beatriz, puxando-a para trás.
Arthur havia retornado sem que ninguém notasse, cercado por uma aura assustadoramente fria.
— Arthur, que bom que você voltou!
— Olha para ela, teve a coragem de me bater! Eu sou uma pessoa mais velha, afinal de contas! — Dona Regina rangeu os dentes. — A culpa é minha por não tê-la educado bem desde criança, mas a essência dela é ruim, é uma semente podre. Como não é filha da família Nogueira, eu nunca conseguiria educá-la direito.
Arthur abaixou o olhar para Beatriz, com uma expressão fria.
Beatriz levantou os olhos e o encarou: — O que foi? Vai exigir justiça para a sua futura sogra?
— Deixe este quarto para elas.
Arthur manteve o olhar baixo. Seu tom era calmo, sem demonstrar qualquer emoção: — Vá arrumar suas coisas.
— Arthur! — Dona Regina o chamou.
Será que ele ia ficar do lado daquela vagabunda?
Helena se aproximou no momento certo e a consolou em voz baixa: — Mãe, eu já conversei com o Arthur. Nós vamos mudar para um quarto melhor.
Em seguida, ela olhou para Beatriz com um tom de repreensão: — De qualquer forma, bater em alguém mais velho é errado. Você deveria pedir desculpas para a minha mãe.
Beatriz a encarou com frieza, erguendo lentamente o canto dos lábios: — Pedir desculpas?
Ela olhou para a câmera de segurança no corredor e falou com firmeza: — Tem câmeras gravando tudo no corredor e na porta do quarto. Quem bateu primeiro e quem começou a provocar está muito bem registrado.
Enquanto falava, pegou o celular, ligou para a polícia e relatou o conflito de forma breve.
Ao desligar, ela levantou o olhar endurecido: — Vamos esperar a polícia resolver. Se a polícia mandar eu pedir desculpas, eu peço.
— Por que você tem que fazer tanto escândalo por isso? — Helena franziu a testa.
— Já que é pouca coisa, expliquem para os policiais. — Beatriz soltou a frase e deu meia-volta.
Seus passos estavam vacilantes, como se o chão estivesse fugindo de sob seus pés. A tontura causada pelo tapa vinha em ondas.
Ao chegar aos degraus, com a mente embaralhada, ela pisou em falso...
E caiu com força.
Seus joelhos e cotovelos bateram forte no chão, e uma dor aguda se espalhou por todo o seu corpo no mesmo instante...
— Beatriz, pare de pirraça. Vou levar você para cuidar desses machucados.
Beatriz ficou de cabeça baixa. Seus cabelos soltos cobriam boa parte do seu rosto e seu olhar estava sombrio. Os dedos que seguravam a grade ficaram brancos de tanta força.
No segundo anterior, ele estava ajudando a mãe de Helena a roubar o quarto que salvaria a vida da tia dela. No segundo seguinte, fingia se importar.
O irônico é que ele nunca entendia a sua luta e a sua dor, apenas considerava todas as suas reações como um simples ataque de raiva.
A disputa pelo quarto nunca foi algo sem importância.
A amiga de Helena era humana, e a tia dela não era?
Ele ter ido até ali agora não passava de uma tentativa de conseguir justiça para as duas, ou de continuar forçando-a a ceder.
Beatriz levantou os olhos avermelhados e falou, pausando a cada palavra: — Caia fora.
Depois de falar, ela se forçou a sustentar o corpo trêmulo e continuou a se arrastar para a frente, passo a passo.
Suas costas pareciam frágeis e teimosas, revelando um isolamento indescritível.

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