Beatriz olhou para cima, um pouco incrédula.
Mais do que isso, achava ridículo.
Vieram de tão longe atrás dela só para fazê-la pedir desculpas a Helena.
— E se eu não quiser?
A expressão de Arthur não mudou, mas o ambiente ao seu redor ficou assustadoramente pesado.
O homem baixou os olhos, olhando para ela calmamente. — Beatriz, desde quando você ficou tão irracional? Antes, você era tão sensata.
— Sensata?
Isso era baseado no amor, no fato de o casamento deles ainda ter esperança.
Beatriz pareceu ouvir uma grande piada. — Ser sensata é me fazer servir a amante durante o resguardo dela, é isso?
Arthur franziu a testa. — Ela é sua irmã.
— Eu não tenho irmã. — Beatriz zombou. — Eu não vou pedir desculpas.
Ele...
Arthur olhou para ela em silêncio por alguns segundos. — E as ações da Seraphina Biotech?
Uma frase tão leve, mas cada palavra era letal.
Aquela era a carreira na qual ela havia colocado todo o seu esforço, sua única força restante naquele casamento.
Beatriz cerrou os dentes com força, as unhas cravando nas palmas das mãos.
Sempre essas ameaças.
Sempre conseguindo atingir exatamente o seu ponto fraco.
Ela não entendia como o homem que tanto amou havia se tornado aquilo.
Ela respirou fundo, olhando para Arthur. — Então venha com tudo.
Justo quando o clima entre os dois estava tenso.
Os faróis de um carro de repente iluminaram o local.
O carro de Gabriel parou na beira da estrada.
Ele desceu do carro a passos largos, bloqueando Beatriz.
Gabriel percebeu que o estado dela era péssimo, e seu tom estava cheio de preocupação.
Beatriz fechou os olhos, contendo o nó na garganta. Ela forçou um sorriso e mentiu em voz baixa: — Não é nada, minha menstruação desceu e está doendo muito. Pode só me levar para casa.
Gabriel assentiu. — Se estiver doendo muito, me avise.
O carro chegou em casa.
Beatriz estava sem forças, cambaleando ao empurrar a porta e entrar. Apoiou as costas na porta fria por um bom tempo até conseguir ficar em pé.
Gabriel a seguiu o caminho todo, seus olhos transbordando uma angústia que não conseguia esconder.
Vendo que ela mal conseguia se manter em pé, ele avançou rapidamente e segurou firmemente seus braços. Com cuidado, ele a ajudou a se sentar no sofá e depois se agachou para massagear seus pulsos frios, falando em um tom extremamente leve e suave.
— Vá devagar, não force a barra.
— Se a sua saúde está tão ruim, não deveria mais se dedicar com tanta intensidade à pesquisa e desenvolvimento.
Ele se virou para lhe servir um copo de água morna. Encontrou um analgésico e o colocou na palma da mão dela, observando-a engolir a pílula com a água enquanto os dedos dela continuavam tremendo levemente sem parar.
— Quer deitar um pouco? Vou pegar uma bolsa de água quente para colocar na sua barriga.
Gabriel era atencioso e meticuloso, e seu tom carregava um cuidado impecável. Não havia a menor inconveniência, apenas pura preocupação.

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