A avó já tinha avisado, mas ele continuava agindo com descaso. Chegou até a mentir para ela, dizendo que eles ainda estavam juntos.
A idosa não percebeu nada de diferente e perguntou: — Vocês dois estão juntos agora?
Beatriz olhou para o grupo que ria perto dela e apenas murmurou: — Sim.
— Divirtam-se. Lembrem-se de voltar juntos amanhã.
A avó continuou: — No ano que vem, faremos uma grande festa para você no Solar.
Beatriz não deu a mínima para as palavras dela.
No ano que vem, quando o acordo com Arthur terminasse, ela não teria mais nenhum vínculo com os Valente. As festas do Solar não teriam nada a ver com ela.
Ela murmurou algumas palavras e desligou o telefone.
Júlia notou que ela ficou mais séria depois de desligar e se aproximou: — O que foi? Quem ligou?
— A avó do Arthur, desejando feliz aniversário. — Beatriz respondeu com calma.
— A avó sempre te tratou bem. Por que você ficou triste depois da ligação? — Júlia a observou. — Ela falou alguma coisa ruim?
— Não. — Beatriz suspirou e deu um leve sorriso. — Só achei que as coisas mudaram.
Na família Valente, a única pessoa que a tratava com sinceridade era a avó de Arthur.
Júlia olhou para ela, sabendo o quanto ela havia sofrido e se sentido oprimida na casa dos Valente. Agora que tinha conseguido sair, era normal que ficasse reflexiva.
— Hoje é o seu aniversário. Divirta-se e não pense nos problemas.
Dizendo isso, ela puxou Beatriz para continuarem jogando.
No meio do jogo, a porta do camarote do clube foi aberta e os clientes de outra mesa entraram.
— Arthur, faz muito tempo que não jogo, já perdi a prática.
— Não temos nada em comum para ficarmos juntos.
Helena ficou séria: — A Srta. Paiva tem algum problema comigo? Toda vez que nos vemos, você me ataca. Se tem algo a dizer, fale logo.
Júlia riu, usando palavras afiadas: — Eu apenas não gosto de lidar com pessoas com princípios diferentes dos meus.
Nicolas segurou Helena: — Deixa pra lá. Não vale a pena discutir com eles. Nós mantemos a decência, mas eles não sabem se comportar.
Depois de falar, ele a puxou e foi embora.
Enquanto conversavam, Arthur já havia falado com o dono do clube e reservado um camarote só para eles.
— O Arthur pensou em tudo. — Nicolas olhou para o grupo de Beatriz. — O que os olhos não veem, o coração não sente. Vamos jogar sozinhos.
O grupo entrou no camarote. Antes de fecharem a porta, foi possível ouvir a voz suave de Helena: — Arthur, você me ensina a jogar daqui a pouco?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão