Beatriz suavizou a voz e tentou acalmar:
— A senhora já tem idade. Fiquei com medo de preocupá-la, por isso não falei. Eu vou descansar, juro que não aconteceu nada.
A avó deu mais alguns conselhos e desligou.
Depois da ligação, Beatriz dirigiu logo para a fábrica. Ela trabalhou até as oito da noite e só então encerrou o expediente.
Ela ligou o carro, pensou um pouco e decidiu ligar para Arthur.
O telefone tocou bastante antes de ele atender.
— O que foi? — A voz do homem era fria e distante.
— Você está na casa onde morávamos?
Arthur respondeu de forma breve:
— No hospital.
Beatriz explicou rápido que a avó a forçou a voltar para casa para se recuperar e perguntou:
— Tem algum problema se eu for aí?
Agora que eles estavam divorciados, a casa estava no nome dele e era o seu espaço privado. Ela não queria invadir do nada, só ia porque precisava acalmar a avó.
— Foi a avó que te mandou, você pode ir a hora que quiser, não precisa me avisar.
Ele fez uma pausa e acrescentou, com um tom impaciente:
— E se não conseguisse falar comigo, não iria?
— Não quero ser incomodado o tempo todo com esses assuntos bobos.
Beatriz entendeu o que ele queria dizer na mesma hora.
Ele sempre estava em reuniões e cuidando de negócios, então não era uma boa hora para atender o telefone. Ele não queria ser incomodado várias vezes com as coisas dela, e menos ainda ter que dar explicações para a avó depois.
— Arthur, já está na hora de lavar o rosto e deitar, com quem você está falando?
Do outro lado da linha, veio a voz suave de Helena.
— Não vou te incomodar.
Beatriz desligou a ligação direto e dirigiu para a casa.
Ao abrir a porta, o garoto Guto estava sentado no sofá da sala assistindo à televisão.
Para a avó não desconfiar, ela descansou um pouco antes de abrir a porta para descer, comer algo rápido e sair o quanto antes.
Assim que chegou ao pé da escada, escutou um barulho na sala.
Dona Rosa estava colocando um lanche na mesa e, ao ver ela descer, logo chamou:
— Senhora, o senhor acabou de chegar, por que não se senta e come um pouco?
Beatriz olhou e logo viu o homem no sofá.
Hugo Valente estava encolhido nos braços de Arthur, jogando videogame num tablet. Era o irmão mais novo de Arthur, que estava no ensino médio.
Arthur olhava para a tela. Ele tocou na imagem com o dedo e avisou:
— Tem alguém atrás de você.
Assim que ele falou, o personagem do jogo foi atingido e eliminado.
— Ah! — Hugo jogou o tablet de lado e reclamou: — Irmão! Por que você não me avisou antes?
Arthur deu uma risada baixa, afagou o cabelo do menino e falou de forma indulgente:
— É porque você é ruim, só precisa treinar mais.

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