Beatriz abaixou os olhos e puxou uma toalha de papel lentamente para secar as mãos, ouvindo em silêncio as perguntas e suposições de Dona Luísa.
Aos olhos da mulher, ela devia ser uma assombração, que a seguiu de propósito e que ia causar um escândalo público, como uma louca pegajosa.
Era uma grande piada.
Beatriz amassou o papel usado, jogando-o na lixeira ao lado com precisão. Em seguida, ergueu o olhar e encarou Dona Luísa de forma fria e indiferente.
— Vocês fazem esse estardalhaço todo e comemoram sem achar que é uma exposição vergonhosa. Eu só passei por acaso, por que a minha presença incomodaria tanto?
A sua expressão era afiada, cheia de sarcasmo e distanciamento evidentes.
Dona Luísa fechou a cara, sentindo um leve aperto inexplicável.
A Beatriz à sua frente não era mais aquela mulher submissa e paciente que cedia em tudo.
Agora era fria e dominante, contrariando-a abertamente como mais velha e desafiando a sua autoridade.
Ela segurou a raiva e repreendeu secamente: — Que atitude é essa? Sabe com quem está falando?
— Parece que o Arthur te mimou demais, para você ficar tão desrespeitosa e sem modos.
— Comporte-se hoje, não passe vergonha em público. Primeiro, entenda qual é a sua situação atual.
Beatriz deu uma risadinha, sendo direta e sem papas na língua: — Quem não deve, não teme.
— Se agem de forma tão limpa e correta, por que ter medo de que alguém veja e comente? Se têm coragem de fazer, devem estar preparados para que os outros vejam.
— O título de Sra. Valente não vale nada para mim. Os outros podem achar precioso, mas eu não o quero.
Ela não tinha paciência para discutir ali, era pura perda de tempo e energia.
— Você é a mais carinhosa e sensata. — A raiva de Dona Luísa dissipou consideravelmente. Ela segurou a mão de Helena, falando com pesar: — No começo, era para você ser a nora da família Valente.
— Mas algumas pessoas usaram truques sujos para chegar antes e pegar a vaga. E, mesmo levando vantagem, ainda não sabem se comportar.
Helena abaixou os olhos levemente, com um tom perfeitamente tímido e equilibrado: — Dona Luísa, sei que você gosta de mim, mas eu e o Arthur somos apenas bons amigos de muitos anos.
— Se você realmente me quer bem, me trate como uma filha, assim podemos nos visitar mais no futuro.
— Claro, claro, agora tenho uma filha atenciosa. — Dona Luísa não conseguia parar de sorrir, cheia de alegria.
Nicolas virou a cabeça para o Arthur, que estava em silêncio ao lado, e não conseguiu evitar uma brincadeira: — A mãe acaba de te arranjar uma irmãzinha. Agora vocês estão ainda mais próximos.
Arthur segurou a taça e deu um pequeno gole. O seu rosto era frio e sério, e ele permaneceu em silêncio o tempo todo. A sua expressão era difícil de decifrar, e a energia ao seu redor tornou-se subitamente pesada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão