O olhar dele era contido, sem mostrar alegria ou raiva.
Beatriz franziu a testa e andou direto para o escritório, sem dizer nada.
O contrato estava arrumado em cima da mesa.
Arthur se encostou no sofá de couro com as pernas cruzadas. Olhou para o documento e indicou: — Leia as cláusulas. Se estiver tudo certo, assine.
Beatriz pegou o contrato e leu cláusula por cláusula, achando tudo muito cômico.
A casa tinha sido passada para o nome dela e agora ele a comprava de volta por um valor alto. Era só um jeito de ele dar o troco por Helena e o menino.
Helena, usando a gravidez, se sentia a maior vítima do mundo.
Ela riu por dentro, mas manteve o rosto neutro. Ao terminar de ler, pegou a caneta e assinou.
Quando a viu assinar, Arthur falou devagar. O tom era de conversa fiada, com uma pitada de sondagem e cobrança.
— A Helena fez alguma coisa contra você na Seraphina Biotech?
O tom de cobrança era óbvio. Ele estava ali para tirar satisfação.
— A demissão foi uma decisão coletiva da diretoria. Se quer cobrar alguém, veio na pessoa errada.
Beatriz soltou a caneta, levantou-se e falou em um tom distante: — Por que não pergunta a ela o que ela andou fazendo? Chegando atrasada, sendo arrogante, rebatendo o chefe e se recusando a trabalhar.
Arthur olhou fixamente para ela. Ficou em silêncio por alguns segundos, não respondeu e guardou o contrato.
Ele virou o rosto e disse com calma: — O Sr. Francisco Nogueira faleceu.
Beatriz parou por um segundo, demonstrando surpresa no olhar.
— O velório será depois de amanhã. Eu passo na sua casa alugada para te buscar e irmos juntos.
— Eu vou ao memorial. — Ela disse com calma.
— Eu vou te buscar. — Arthur falou com certeza, sem dar margem para negociação.
Na cabeça dele, se os dois chegassem separados, as pessoas comentariam.
Beatriz não quis aceitar e recusou: — Eu vou por conta própria. Eu me viro para chegar lá.
Arthur olhou para ela por alguns segundos e riu baixo, de um jeito misterioso.
— Da próxima vez que lidar com a Helena, é melhor deixar as emoções pessoais de lado.
— Foi só um problema no trabalho. Você perdeu a cabeça na frente de todo mundo e a demitiu. Isso é muito estranho. O que ela te fez para você persegui-la assim?
Beatriz deu um sorriso irônico, olhou direto para ele e falou num tom sarcástico: — Para você, alguma explicação minha já importou de verdade?

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