Beatriz dirigiu para levar Valentina Souza à escola.
No portão da escola, o Maybach preto parou de vez, e Hugo Valente saltou do carro com uma expressão emburrada.
Ao ver as duas irmãs de longe, o rosto do garoto fechou na hora.
Na noite passada, Arthur foi até a casa da família Valente pessoalmente. Ele o repreendeu severamente e o obrigou a escrever uma carta de desculpas, palavra por palavra.
Desde o início, ele não achou que estava errado em momento algum, mas foi obrigado a confessar o erro e pedir desculpas.
O irmão falou grosso com ele, dizendo que hoje ele teria que se redimir em público, na frente de todos os professores e alunos, e se desculpar com Val.
Se ele não aceitasse, todas as suas diversões seriam confiscadas e ele seria proibido de chegar perto da Helena.
Sem nenhuma vontade, ele cedeu e pegou a caneta.
A educação em uma família rica é extremamente severa. Eles aprendem a ler e a escrever muito cedo, e logo desenvolvem pensamentos maduros, apesar da pouca idade.
Hugo lançou um olhar cortante e cheio de hostilidade.
Beatriz virou os olhos e deu uma olhada nele de leve. Sua expressão estava calma e não havia raiva.
O pedido de desculpas público em frente à bandeira hoje era só o começo.
Ela não deixaria sua irmã sofrer bullying nas mãos dos outros novamente.
Hugo resmungou com frieza. Com o rosto tenso, ele virou a cabeça como quem estivesse fazendo birra. Ele colocou a mochila nas costas e entrou na escola sem olhar para trás.
Val acompanhou o menino indo embora, apertou os lábios de leve, escondendo uma melancolia inexplicável.
Beatriz viu isso, abaixou-se lentamente e olhou nos olhos da irmã. Com a voz suave, mas firme: — Val, quero te dizer uma coisa.
— O pedido de desculpas é a responsabilidade que ele deve assumir por ter feito algo de errado. Ninguém pode te obrigar a perdoar.
— O pedido de desculpas é o dever dele. Perdoar ou não, só depende da sua vontade. Não passe por cima de você por causa de mais ninguém.
Val concordou com a cabeça: — Entendido, não vou deixar ninguém me maltratar.
Mesmo sendo excluída na sala de aula e ninguém querer brincar com ela.
Ela nunca chorou e fez escândalo, preferindo ler e fazer a lição sozinha, carregando a solidão.
— Se você se sentir mal na escola ou for ofendida, me conte na mesma hora. Não guarde para você.
Beatriz levou a mão à cabeça da irmã e fez um carinho no cabelo.
O terreno era excelente e a planta da casa era perfeita. Ela já havia abaixado o preço bem abaixo do valor do mercado. O imóvel estava lá há dias e ninguém tinha se interessado em comprar ou alugar. O jeito que as coisas estavam era esquisito e causou suspeitas.
A Seraphina Biotech ainda não tinha feito a abertura de capital. O plano original era levantar capital e ir para o IPO aos poucos.
Mas, no momento, o mercado financeiro estava muito cauteloso. Quase nenhum investidor tinha a intenção de entrar no setor de biotecnologia.
A área de biotecnologia necessitava de grandes investimentos e queima de capital rápida. Qualquer aplicação de milhões não era nada além de uma gota no oceano.
A fim de promover Helena no mercado e lhe dar um currículo maravilhoso, Arthur injetou quinhentos milhões de uma vez só, que acabou solucionando o problema de fluxo de caixa da Seraphina Biotech.
Mas ela tinha que vender a casa matrimonial rápido. Ela precisava do dinheiro vivo, já que precisava pagar pela pesquisa, o funcionamento da empresa e as contas diárias.
Ela ligou para a imobiliária de novo, e o tom parecia confuso enquanto pedia detalhes.
Do outro lado do telefone, a agente explicou com cuidado: — Srta. Nogueira, para vendermos o imóvel logo, temos que tirar os pertences e desocupar o lugar todo. Do contrário não podemos levar ninguém lá. Os clientes também se importam se o lugar estiver ocupado.
Beatriz entendeu de repente.
Nestes últimos dias ela ficou ocupada lidando com o bullying na escola, as negociações do projeto e a própria doença. Com isso, ela negligenciou esse detalhe.
Ela já tinha passado o título do imóvel para o nome dela. Pensou que Arthur fosse pegar as próprias coisas e ir embora por conta própria, mas, agora, parecia que ele nunca quis deixar o lugar.

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