Beatriz respondeu na mesma hora: — Eu tento.
O professor olhou no relógio e soltou a frase para ela: — Dou vinte minutos.
Como resultado, em menos de quinze minutos, Beatriz apresentou o caminho de forma limpa, com lógica rígida e apontamento exato.
O professor assentiu satisfeito, mas a boca não poupou: — Vejo que não andou muito para trás.
— Nesta área hoje em dia não se pode falhar um pingo. — Beatriz falou a sério.
Hesitou por um momento, e finalmente reuniu coragem para soltar o desejo guardado no peito por muito tempo: — Professor, eu quero continuar os estudos. Fazer mestrado e doutorado... o senhor acha que... eu ainda tenho chance?
Nesses dias, ela mostrou marcas brilhantes. Sua capacidade já estava muito além do nível de mestrado, mas as academias no país viam o diploma de forma séria. Ela precisava de uma oportunidade de estudos diretos, e precisava ainda mais do professor para guiá-la.
O professor não respondeu logo; ele a olhou de forma amena, com olhar difícil de ler.
Beatriz sabia que naquele ano ela abriu mão dos livros pelo casamento; feriu o coração do professor. Fazer com que ele a aceitasse de volta não era nada fácil.
Ela trabalhou nos projetos e pegou frutos porque queria provar que não era passageiro, que ela de fato queria trilhar aquele caminho.
Vendo a situação, Gabriel apressou-se a apoiar: — A colega mais nova tem talento e esforço; o senhor viu com os próprios olhos.
— Deixe que ela o acompanhe nos estudos; tanto dá orgulho para o senhor, como serve para a área. O senhor nos ensina que, se pode corrigir o erro, é ótimo.
O professor bufou, com o rosto fechado, mas o fundo dos olhos já se abria.
Ele olhou para Beatriz e finalmente soltou a frase: — Não me faça passar vergonha.
O rosto de Beatriz se iluminou instantaneamente, e os olhos iluminaram-se: — Obrigada, professor, por dar a chance!
Gabriel ergueu o copo e riu: — Sem conversas de cena, desejo à colega mais nova o sucesso nos estudos e trabalho!
Com o fim do almoço, a ansiedade no peito de Beatriz abaixou; a pessoa inteira estava muito mais relaxada.
O professor ia voltar ao laboratório. Gabriel responsabilizou-se por levá-lo de volta.
Arthur deu um passo à frente, estendeu a chave do carro para ela, em tom natural de ordem: — Me leve de volta.
Beatriz franziu as sobrancelhas e negou: — Inconveniente.
— A avó foi à residência de casados hoje. — Arthur mantinha o tom calmo, mas acertou os pontos fracos. — Se você não voltar comigo, ela vai perguntar por que você não mora na casa... e você vai explicar como?
O coração de Beatriz apertou.
Ela recordou repentinamente aquelas cláusulas severas no Acordo de Divórcio:
Durante um ano não devia expor o divórcio. Na frente dos mais velhos precisava fingir paz.
Ao romper, ele reaveria toda a compensação; além de arrancar dela o que ela prezava.
Para se livrar da relação de verdade, ela já assinara os papéis. Sabia que ia abrir mão de uma parte da liberdade no período, e precisava acompanhar na cena.
Beatriz cerrou os dedos, olhando a chave de carro estendida, e silenciou por um tempo. Então abriu a boca e disse: — Você diz para a avó que eu vou levar a Val para a casa da minha mãe por um tempo, e que não vou voltar para a casa do casamento.

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