Arthur a observou por um momento, os cantos da boca se ergueram de leve, e ele obedientemente pousou a taça.
— Nossa, tão obediente? — Nicolas, que acabava de voltar, brincou ao ver a cena. — Nunca vi Arthur ser tão submisso a alguém.
As bochechas de Helena ficaram levemente vermelhas e ela sorriu baixinho: — Ele sabe o que faz, eu só estou avisando.
Todos na sala brindavam e conversavam em meio a risadas alegres, celebrando sua "liberdade recuperada".
Ninguém se lembrou da ex-esposa descartada por ele.
Beatriz sentou-se na sala com aperto no peito, o álcool subindo, e o coração sufocado de aflição.
Ela avisou Júlia e saiu sozinha para o corredor para tomar um ar, pretendendo ir à recepção pegar algumas frutas.
A iluminação no canto do corredor era fraca. Assim que ela passou, uma mão grande com forte cheiro de álcool se esticou de repente, puxando-a bruscamente para um abraço.
A força foi tanta que a pegou desprevenida, batendo com força no peito duro. O cheiro forte de álcool misturado com o perfume familiar dele veio em seu rosto, deixando todo o seu corpo tenso e frio.
Ela se debateu desesperadamente, mas o homem apertava a sua cintura com força, encostando o queixo no topo da sua cabeça. Com a voz rouca, murmurou embriagado:
— Não se mexa, me deixe te abraçar um pouco...
A dependência e a gentileza naquele tom nunca pertenceram a ela.
Beatriz tremeu de raiva, sentindo nojo e decepção. Sílaba por sílaba, ela abriu a boca, cerrando os dentes:
— Arthur, eu não sou Helena.
A pessoa no abraço parou, afrouxando um pouco a força de forma atordoada, como se tentasse reconhecer a pessoa à sua frente.
Aproveitando a brecha, Beatriz usou toda a força do seu corpo para empurrá-lo de forma brusca. Sem esperar que ele se equilibrasse, ela levantou a mão e deu um tapa forte no rosto dele.
O som nítido do tapa soou estridente no corredor silencioso.
Arthur virou o rosto com o golpe, pressionou o interior da bochecha com a língua e virou o rosto de volta devagar.
Seus olhos de bêbado estavam opacos, tão escuros quanto o fundo do oceano, revelando a frieza cortante de quem foi ofendido.
Ela devia ter encontrado Arthur e Helena.
— Que azar! Beba, beba, para espantar o mal! — Júlia ergueu a taça com raiva, não querendo deixar o ocorrido estragar o clima.
Talvez pelo peso no peito, ou por aquele tapa ter consumido as forças, aquela noite de bebidas acabou cedo.
Quando Beatriz chegou em casa, passava pouco das nove.
Ela não queria ficar presa aos sentimentos negativos; planejava ligar o computador e trabalhar.
Agora ela estava com as rédeas de dois projetos centrais na Seraphina Biotech: um conectado ao sistema do governo e outro de desenvolvimento de algoritmos avançados; ambos eram a sua segurança.
Assim que abriu o arquivo, o celular tocou repentinamente com estridência.
O nome na tela fez o olhar de Beatriz escurecer: Arthur.
Sem alterar sua expressão, ela passou o dedo e desligou direto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão