— Como ousa ofender a Helena?!
A mulher ficou furiosa e começou a soltar os piores insultos.
— Pá! —
O som do tapa estalou no corredor silencioso.
Beatriz abaixou a mão. Seus dedos formigavam um pouco.
Aquele tapa carregava a injustiça contida, a pressão e o sufoco de tanto tempo.
A mulher cobriu o rosto e a encarou sem acreditar: — Você teve coragem de me bater!
Ela levantou a mão para revidar, mas Beatriz agarrou seu pulso com força: — Cada centavo que a Helena gasta, metade pertence aos bens do meu casamento com o Arthur. Se eu quiser, faço vocês devolverem tudo.
A mulher empalideceu na mesma hora.
— O que você está fazendo?
Uma voz grave veio de trás.
Beatriz se virou e viu Arthur se aproximando, apoiado em Helena.
Ele ainda estava machucado e andava com dificuldade, mas fez questão de ir até lá para defendê-la.
Helena franziu a testa, assumindo uma expressão apreensiva: — Cunhada, vamos conversar com calma. Não precisava bater...
Arthur olhou para o rosto vermelho da mulher e depois para Beatriz. Sem hesitar, disse apenas: — Peça desculpas.
Pedir desculpas?
Sempre foi assim.
Ele nunca perguntava o motivo, nunca avaliava quem estava certo. Só prestava atenção em quem se mostrava mais frágil e injustiçada ao lado dele.
Ele nunca acreditava nela. Nunca havia ficado do lado dela.
Os anos de dedicação, os sapos que ela engoliu, o esforço para manter a casa e as aparências...
No fim das contas, foi tudo em vão.
— Por que eu deveria pedir desculpas? — A garganta de Beatriz apertou. Sua voz tremia, mas ela continuou de pé, com as costas retas. — Arthur, com que direito você me dá ordens?
Ela parou de olhar para ele e lançou um olhar frio para Regina: — Se houver uma próxima vez, não vai ser só um tapa.
Depois de falar, ela se virou e foi embora. Andou de forma rígida, sem olhar para trás nenhuma vez.
Helena apoiou Arthur imediatamente e falou com uma voz suave: — Arthur, não fique bravo. A cunhada deve estar muito estressada esses dias...
Ela falou em divórcio com você dias atrás. A empresa dela está mal, com certeza ela não está se sentindo bem.
Ele achava que uma coisa daquelas apagava as injustiças e os machucados.
Beatriz controlou as emoções e dirigiu até a Apex Biotech.
Ao sair do carro, sua cabeça girou. As noites em claro e a falta de comida causaram uma hipoglicemia.
Ela pegou uma bala e colocou na boca. Ao chegar nos elevadores, tropeçou em algo e caiu para a frente.
No segundo seguinte, uma mão quente e firme segurou o pulso dela, seguida por um leve cheiro amadeirado.
— Cuidado.
Beatriz se firmou e levantou a cabeça para agradecer.
O homem à sua frente passava uma imagem contida. Vestia uma camisa escura e tinha uma presença gentil, mas forte.
— Com licença, o escritório do diretor Gabriel é por este elevador?
Beatriz ficou surpresa: — Eu levo o senhor até lá. Quem é você?
O homem sorriu de leve e entregou um cartão de visitas.
— BioGenix Global, Guilherme Drummond.

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