— Chega. — A avó a interrompeu. — Tem gente cuidando do Hugo lá em casa. Volte e faça uma sopa para mandar.
Dona Luísa também estava preocupada com o filho mais novo. Como a avó a dispensou, ela falou algumas coisas e saiu.
Só a avó e o neto ficaram no quarto.
A avó se sentou na cadeira, olhou para ele e abaixou o tom: — Diga, o que aconteceu? Fiquei sabendo que a Helena estava lá.
— Sim. — Arthur não negou.
A avó suspirou: — Eu sei que vocês se dão bem. Mas vocês estão muito próximos, e os boatos estão se espalhando. Você não se importa?
— Você não pensou em como a Beatriz se sente?
Ao ver que ele não falava, a avó continuou: — A Helena é boa pessoa, mas vocês não são só amigos. Vocês precisam manter distância.
Arthur ouviu em silêncio. Ele ficou calado e olhou para a tela do tablet.
A avó se irritou: — Eu estou falando com você. Está ouvindo?
Arthur levantou os olhos, com um tom neutro: — A Beatriz não se importa. Ela e a Helena se dão bem.
O rosto da avó fechou.
Beatriz nunca tinha reclamado nesses anos. O fato de ela não falar, não queria dizer que não estava sofrendo.
— Ela não falar, não quer dizer que não se importa.
Arthur abaixou o tablet: — Ela é adulta. Se estiver insatisfeita, ela fala. A senhora não precisa intervir sempre.
— Eu não quero que ela sofra por sua causa.
Arthur deu um sorriso de leve: — A senhora a protege tanto. Como ela vai sofrer?
— Se não quiser cuidar do Hugo, pode mandá-lo de volta. Em casa, ela faz o que quer. Onde ela está sofrendo?
Ela se abaixou, olhou para ela e falou de forma calma: — Nós precisamos entender algumas coisas.
— Algumas pessoas não pertencem a nós. Não adianta criar expectativas.
Valentina apertou os lábios, apertou a mão e fez um som com a boca.
Algumas coisas não precisavam ser ditas, ela tinha entendido.
Na verdade, Valentina sempre achou que Arthur era bom e que a culpa era dela.
Valentina baixou a cabeça e choramingou. Ela achava que Arthur não gostava dela e de Beatriz por culpa dela mesma.
Beatriz sentiu um aperto, secou a lágrima do olho da garota e a consolou: — Menina, não depende de você o fato de gostarem ou não da gente.
— Quando não gostam, não gostam. Você vai entender quando crescer.

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