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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 140

Arthur chegou atrasado.

Todo de preto e muito solene, isso o deixava com o corpo ainda mais reto e contido. No braço, segurava um buquê de crisântemos brancos, e tinha em si a pressão de quem está no topo.

Quando o Sr. Jorge Souza viu que ele apareceu, o rosto tenso relaxou um pouco. Não falou muito, só passou o olhar de leve entre os dois.

Para ele, mesmo que houvesse brigas no casamento dos mais jovens, em ocasiões formais a etiqueta não podia faltar.

Arthur olhou para Beatriz e suavizou a voz, como se fossem mesmo um casal em harmonia: — Não cheguei muito atrasado, né?

Era só na frente da avó e dos mais velhos que ele aceitava atuar daquele jeito.

Beatriz ficou olhando para ele, com o coração completamente frio.

Quando ela ligou agora pouco, ele claramente estava passeando com Helena lá fora, tranquilo e relaxado. Não tinha nada a ver com o clima pesado e solene daqui.

A senhora deu um passo à frente, batendo nele como se estivesse brigando de mentira: — Ainda bem que veio. Um pouco mais e a cerimônia começava.

— Vai rápido. Acende o incenso para o seu avô e pede desculpas para o seu tio.

Arthur não disse muito. Foi à frente e acendeu três incensos com todo o respeito, colocando os crisântemos para baixo de forma leve. Cumpriu as regras por inteiro, não dava para achar um único erro.

Só depois, ele virou para o tio e acenou com a cabeça de leve para cumprimentar.

Beatriz olhou friamente para tudo aquilo, achando uma grande ironia.

— Já que todos estão aqui, vamos começar.

A cerimônia de oração não demorou. Foram só dez minutos rápidos, mas pareciam difíceis como se fosse um século.

Num canto que ninguém via, o olhar de Arthur não parou nela nenhuma vez. Estava frio e distante, como se fossem estranhos.

Beatriz sabia que ele não veio por ela e nem pelo avô. Só não queria que a avó ficasse brava, então teve que fazer aquela cena.

Quando acabou, o grupo se arrumou para ir ao cemitério.

A senhora era muito velha, as pernas não deixavam, então ficou em casa esperando.

Arthur foi para o lado atender o telefone. Beatriz olhou de longe, e na mesma hora as sobrancelhas e os olhos dele ficaram mais suaves, e a voz amansou —

O tio e o Sr. Jorge Souza se olharam. Estavam insatisfeitos, mas não podiam forçá-lo a ficar, afinal, ele já tinha participado da cerimônia de oração.

A senhora, porém, não abriu mão: — Que assunto é mais importante que a família? Tem que voltar para o jantar de família à noite.

Arthur olhou a hora e respondeu de leve: — Vou ver como fica.

Antes de sair, olhou para Beatriz de propósito, com um tom de preocupação na medida certa: — Cuide de você. Qualquer coisa, entre em contato comigo.

Na frente dos mais velhos, ele sempre encenava de forma perfeita.

Beatriz só sentiu um aperto no peito, com preguiça de fingir qualquer coisa.

-

O cemitério tinha uma chuva fina e um vento frio de cortar.

A família se ajoelhou na frente da lápide do avô para prestar as homenagens. Beatriz olhou para a foto conhecida na lápide; o passado invadiu sua mente cena por cena, e a borda dos olhos não pôde evitar ficar vermelha.

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