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A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão romance Capítulo 135

Em tantos anos de casados, as refeições que tiveram juntos não foram poucas. Sempre que havia camarão na mesa, ela nem tocava.

Ele nunca prestou atenção.

O tal de "você gosta de comer" que ele disse devia ser algo que Helena gostava, com certeza.

A senhora deu uma bronca em Arthur ali mesmo, mandando que se importasse mais com a esposa, e não ficasse focado apenas na empresa e nos assuntos de fora o dia inteiro.

Arthur concordou com tudo pacientemente.

Na metade da refeição, a senhora soltou os pauzinhos, e sua expressão ficou um pouco mais séria.

— No último passeio de primavera, eu já vi, vocês dois juntos parecem de bem, mas no fundo estão distantes. Não se dedicam nem um pouco. — A senhora suspirou, e voltou a olhar para Beatriz: — Falta pouco tempo para o aniversário de três anos da morte do seu avô.

Os dedos de Beatriz apertaram os pauzinhos com força na mesma hora.

O avô era a pessoa que ela mais respeitava na vida. Há três anos que partiu, e ela sempre o guardou no coração.

Desde que reconheceu os pais biológicos e os familiares, a família Souza sempre foi ótima para ela.

Quando a família Nogueira a deixava de lado e a colocava para baixo, foram os Souzas que lhe deram um refúgio.

Pelas regras, o aniversário de três anos deveria ser mais oficial. A cerimônia era complexa, e havia muitas coisas para se organizar.

— Já estou preparando as coisas devagar. — ela falou com a voz baixa.

A senhora concordou com a cabeça: — Que bom.

— Esse assunto é complicado, você não vai conseguir dar conta correndo para lá e para cá sozinha.

Ela olhou para Arthur, com um tom de quem entregava uma missão: — Arthur, quando chegar a hora, acompanhe a Beatriz, ajude nas tarefas, corra atrás do que precisar.

— Você conhece muita gente, para certas coisas é mais fácil você aparecer.

O coração de Beatriz afundou.

Da última vez, no dia do aniversário de morte do avô, Arthur usou o trabalho na empresa como desculpa e faltou a tudo. Logo depois, ela descobriu que ele tinha saído com Helena.

Nesta vida, ela não esperava mais nada dele e não queria se meter com ele de forma alguma.

Ela tomou a frente e falou com voz calma e firme: — Não precisa, avó. Eu dou conta de resolver tudo sozinha.

-

O jantar acabou.

Beatriz não queria continuar fingindo na frente da avó e menos ainda voltar com Arthur, então arrumou uma desculpa, dizendo que ainda tinha trabalho para fazer na empresa e que faria hora extra.

— Hora extra para quê? — A senhora olhou para Arthur na mesma hora: — É a sua empresa sugando as pessoas, deixando a Beatriz exausta desse jeito?

Não era um nome, era uma única palavra —

"Vida".

Ela soltou um riso no fundo do peito e desviou o olhar com indiferença.

Como imaginava, era Helena.

Arthur atendeu, e logo do outro lado ouviu-se a voz mansa e dengosa de Helena: — Arthur, terminei as coisas aqui. Você pode vir me buscar?

Arthur não respondeu na hora. Levantou os olhos para ver a hora, apertando as sobrancelhas sem demonstrar emoção.

Beatriz entendeu no mesmo instante.

Ele ia buscar Helena, e ela, que estava "atrapalhando", teria de dar o lugar à outra.

Era melhor ir embora sozinha do que esperar ser expulsa do carro com frieza.

Beatriz não falou nada; abaixou os olhos e foi direto soltar o cinto de segurança.

Colocou a mão na maçaneta da porta, puxou com força e viu que a porta já estava travada.

Ela franziu a testa e olhou para trás, encarando Arthur.

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